Imagem ilustrativa. (Créditos da imagem: UW-Madison Campus Connection/Simon Gilroy).

Bem sabemos que desde os tempos antigos o homem utiliza e modifica os recursos naturais para promover sua sobrevivência e bem estar. Todavia, não podemos julgar certas atitudes como errôneas, tendo em vista que o homem é parte integrante da natureza e que depende de seus recursos para sobreviver, assim como qualquer outra espécie de ser vivo.

Entretanto, muitas vezes o homem extrapola os limites impostos pela natureza e a modifica a tal ponto que não sabemos mais os limites entre o natural e o artificial. Um exemplo disto é a modificação genética de plantas com o intuito de capacitá-las a emitirem luminosidade, isto é, torná-las fluorescentes, para serem utilizadas como indicadores de estresse ambiental.

Esta modificação vem sendo realizada por pesquisadores de um ramo da ciência fundado recentemente, mas que já é alvo de acirradas discussões e críticas… A Engenharia Genética. A ideia concebida pelos pesquisadores Tony Trewavas, Steve Smith e seus colegas da Universidade de Edimburgo, consiste em modificar geneticamente alguns espécimes de vegetais cultivados na agricultura, de modo que tais espécimes sejam capazes de emitir uma leve fluorescência azul-celeste quando estressadas pelo ambiente na qual estão inseridas. A quantidade de fluorescência emitida indica a natureza do estresse, como dessecação, a exposição ao congelamento e até mesmo uma rajada de vento. Essas plantas fluorescentes podem ser cultivadas juntamente às plantas normais da mesma espécie. Assim, quando a planta manipulada começar a emitir fluorescência, indicando algum estresse ambiental, isto significa que as plantas normais também estão submetidas ao mesmo tipo de estresse. Com isto, o agricultor poderá avaliar o estado de saúde de sua plantação por meio de “medidores de luz”, utilizados nas plantas modificadas, também chamadas de “plantas indicadoras de estresse”, adquirindo as informações necessárias para realizar as medidas cabíveis na resolução do problema.

Para conferir fluorescência às plantas, os pesquisadores utilizaram uma proteína, a aequorina, produzida naturalmente por cnidários, especificamente águas-vivas da espécie Aequorea victoria. Para efetivar o teste, os pesquisadores transferiram o gene responsável por essa proteína para um plasmídeo, introduzindo-o na planta com o auxílio da bactéria Agrobacterium tumefaciens. Essa espécie de bactéria atua como um parasita, integrando o plasmídeo no material genético do hospedeiro. Assim, o gene permite a emissão de fluorescência pelos vegetais manipulados, permitindo a avaliação do estresse ambiental nas plantações.