A magnetorecepção é a capacidade de detectar campos magnéticos. As aves, os peixes e outros animais migratórios dominam o processo, o que faz sentido para que eles tenham uma “bússola incorporada” para suas longas viagens pela Terra.

Nos últimos anos, os pesquisadores descobriram outras criaturas não migratórias que também possuem esse sentido (lagostas, vermes, caramujos, rãs, etc). Os mamíferos também parecem responder ao campo magnético da Terra: em experimentos, ratos-toupeira usam o campo magnético para posicionar seus ninhos; os gados e os cervos orientam seus corpos ao longo deles [das linhas do campo magnético] ao pastar; os cães apontam para o norte ou para o sul quando urinam ou defecam.

O campo magnético da Terra, gerado por seu núcleo líquido externo, é semelhante ao de um ímã de barra gigante fora do eixo. A sua força varia entre 35 microteslas perto do equador a 70 microteslas nos polos (números aproximados).

Os cientistas sabem que os animais podem sentir os campos, mas eles não sabem como os animais sentem este campo no nível celular e neural. O neurobiólogo David Dickman, da Faculdade de Medicina de Baylor, em Houston, afirma que a fronteira da pesquisa está na biologia, pois, até o momento, os cientistas não sabem como o cérebro utiliza as informações. Um estudo de 2012 mostrou que os neurônios específicos dos ouvidos internos dos pombos estão envolvidos no processo, disparando uma resposta de acordo com a intensidade e polaridade dos campos.

Encontrar os magnetorreceptores responsáveis por desencadear esses neurônios é a grande dificuldade. Há duas hipóteses candidatas para os magnetoreceptores. Uma delas é que os campos magnéticos desencadeiam reações químicas em proteínas chamadas criptocromos. Os criptocromos foram encontrados na retina, mas ninguém determinou como eles podem controlar os caminhos neurais.

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A outra hipótese propõe que “pequenas agulhas de bússola” ficariam dentro das células receptoras, ou perto do nervo trigêmeo, atrás dos narizes dos animais ou no ouvido interno. As agulhas, presumivelmente constituídas de magnetita, de algum modo abririam ou fechariam caminhos neurais.

Os mesmos magnetoreceptores candidatos podem ser encontrados em seres humanos. Isso pode indicar a possibilidade da presença de um sentido magnético, mas que foi perdida no decorrer da evolução da espécie, assim como os vestígios de asas de avestruz.

Via:Unidades Imaginárias
Fonte:Science
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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 17 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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