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Muitas vezes ouvimos na escola que o químico francês Antoine Lavoisier é o pai da Química! Mas como uma ciência pode vir da cabeça de uma única pessoa? Ele foi um gênio? Ah, por isso que a Química é difícil de ser compreendida, ela foi inventada por um homem fora do normal!

Não, não, não… A Química, assim como toda a ciência, é da sociedade. Obviamente ninguém quer tirar a importância de Lavoisier para a Química mas colocá-lo em um pedestal, é um grande erro.  A Química é construída de forma coletiva, é uma construção feita por seres humanos. Lavoisier se apoiou em um monte de outros cientistas e o desenvolvimento da Química continua após ele. Se Lavoisier estivesse vivo, ele não entenderia a Química contemporânea. Não podemos ser ingênuos em pensar que Lavoisier deixou tudo pronto e imutável.

Para se ter uma ideia, a Lei de Conservação das Massas, a dita lei que é alardeada como sendo do Lavoisier, foi proposta muito antes por Immanuel Kant, contudo, na época da proposição do filósofo, não existiam balanças e nem aparatos científicos. Lavoisier conhecia a proposta de Kant, era rico e viveu numa época em que foi possível ele adquirir essas balanças e propor uma nova maneira de fazer Química. Além disso, o inglês Priestley, sua esposa Marie Anne e outras pessoas, foram primordiais para o desenvolvimento da sua forma de pensar a Química.

A vida do cientista francês ia muito além de um laboratório para fazer reações químicas envolvendo a lei de conservação das massas. Lavoisier viveu em seu país entre 1743 e 1794; era amigo do rei e cobrador de impostos, esse era seu verdadeiro emprego. Cobrar impostos não o fazia querido na França, e além do mais, mandou que construísse muros em volta de Paris para que cobrasse impostos e impedisse o tráfico de mercadorias, a população ficou muito brava pois achava que o muro ia impedir do ar entrar na cidade.

Lavoisier viveu na época de uma França que passava pela Revolução Francesa foi acusado de ser inimigo da República, pela sua relação com a Monarquia. O cientista foi parar na guilhotina, assim como muitos outros que defendiam o rei na época da queda da Bastilha.

Quer saber mais? Os Livros “Lavoisier no Ano UM” de Madison Bell e “Lavoisier” de Carlos Alberto Filgueiras são excelentes!

É professor da educação básica? Quer levar esse assunto para a sala de aula? Eu tenho um livro recém lançado chamado Lavoisier na sala de aula, pela editora Appris.

Lucas Guimarães
Doutorando em Ensino de Ciências, mestre em Ensino de Ciências, professor de Ciências e Química da Rede Municipal de Ensino de Barra Mansa e Volta Redonda e autor do livro "Lavoisier na Sala de Aula". Atualmente desenvolvo a função de articulador de ciências na rede municipal de Barra Mansa (RJ), além de um trabalho de metodologias ativas aplicadas no laboratório de ciências no Colégio Espaço Verde. Tenho interesse de pesquisa na área de História da Ciência no Ensino