(Créditos da imagem: Reprodução).

Ivan Petrovich Pavlov foi um fisiologista russo que viveu entre os anos de 1849 e 1936. Pavlov ficou conhecido principalmente por seu trabalho acerca do “condicionamento clássico”, no qual descreve a gênese e a modificação de alguns comportamentos com base nos efeitos do binômio estímulo — resposta sobre o sistema nervoso central dos seres vivos, sendo estudado até hoje na psicologia do comportamento e utilizado como referencial teórico em diversos cursos de graduação. Além disso, Pavlov foi premiado com o “Nobel de Fisiologia ou Medicina” em 1904, recompensa por suas descobertas sobre os processos digestivos dos animais. Muitos foram os trabalhos e contribuições científicas atribuídas à esse cientista, e, por este motivo, este artigo é dedicado a ele, especialmente à uma carta que Pavlov escreveu para os cientistas que estavam iniciando suas carreiras acadêmicas, e, com toda certeza, as palavras nela contidas servirá de auxílio e motivação para aqueles que hoje pretendem seguir o mesmo caminho.

Ivan Petrovich Pavlov. (Créditos da imagem: Reprodução).

A carta, intitulada “Carta aos jovens”, representa os conselhos de Pavlov para o progresso científico de qualquer pesquisador. Logo no início, Pavlov escreve:

“O que desejaria eu aos jovens da minha pátria, consagrados à ciência? Antes de tudo, constância. Nunca posso falar sem emoção sobre essa importante condição para o trabalho  científico. Constância, constância e constância! Desde o início de seus trabalhos, habituem-se a uma rigorosa constância na acumulação do conhecimento. Habituem-se a uma rigorosa constância na acumulação do conhecimento…”

Destaquei em negrito as palavras que considero “informação chave” no texto. Ninguém consegue fazer ciência sem antes buscar conhecer o que já existe na literatura; isto nos proporciona um aporte teórico necessário para que possamos realizar nossas próprias pesquisas, fazer e ajustar nossa metodologia, discutir novas ideias.

Em seguida, Pavlov escreve:

Aprendam o ABC da ciência antes de tentar galgar seu cume. Nunca acreditem no que se segue sem assimilar o que vem antes.”

Nisto, ele nos ensina a ser cautelosas em nossa ciência. Cientistas precisam seguir o método científico para que suas pesquisas sejam aceitas, e este método não é nada fácil. Sempre estamos sujeitos a ter que retornar ao início do método para ajustar nossas pesquisas, e, devido a todas essas variáveis, se não aprendemos o ABC da ciência antes de “colocar a mão na massa”, podemos cometer grandes erros. Em meio a tudo isso, também devemos ser cuidadosos quanto às informações que nos chegam, isto é, ter um pensamento crítico quanto à veracidade da informação, pois existem muitas fake news até mesmo na ciência.

Nunca tente dissimular sua falta de conhecimento, ainda com suposições e hipóteses audaciosas.”

Infelizmente, muitas pessoas que fazem parte do meio acadêmico se consideram os “donos do conhecimento”, e sempre buscam qualquer argumento para responder a toda pergunta, mesmo que não saibam a resposta. Devemos lembrar que não sabemos de tudo, e que ao assumir que não dominamos determinado assunto, mas que estamos dispostos a aprendê-lo, ganhamos muito mais; sobre isso, Pavlov escreve:

Nunca pensem que sabem de tudo. E não se tenham em alta conta; possam ter sempre a coragem de dizer: sou ignorante. Não deixe que o orgulho os domine. Por causa dele poderão obstinar-se, quando for necessário concordar; por causa dele renunciarão ao conselho saudável e ao auxílio amigo.Estudem, experimentem, observem, esforcem-se para não abandonar os fatos à superfície. Não se transformem em arquivista de fatos. Tentem penetrar no ministério de sua origem e, com perseverança, procurem as leis que os governem.

Tudo isto faz parte da vida de um cientista, mas, uma característica substancial que destaca um cientista está na sua maneira de enxergar o mundo: olhar crítico, perguntas (“porque isso acontece?”, “O que este fenômeno tem haver com aquele?”, “Como posso testar tal hipótese?” …), busca incansável pelo conhecimento, inquietação quanto à falta de respostas, entre outros.

Por fim, quero destacar uma frase de Pavlov que acredito ser motivadora e essencial para qualquer cientista: “Sejam apaixonados por sua ciência e por suas pesquisas”. Nesta frase, o autor nos lembra da importância de amarmos aquilo que fazemos, pois, quando isto é realidade, nossa dedicação à ciência torna-se muito mais prazerosa e nos sentimos motivados a buscar cada vez mais novos conhecimentos, descobrir novos fatos. Assim, àqueles que desejam o caminho da ciência, aconselho ter sempre em mente os conselhos de Pavlov, pois acredito que farão uma grande diferença em suas vidas enquanto cientista.

Para ler a carta completa de Pavlov, clique aqui.