(Créditos da imagem: Reprodução).

Por mais imaginação que nós tenhamos, muitas vezes é difícil não ver as figuras históricas de fotos preto e branco como sendo de alguma outra espécie. A diferença das imagens coloridas pode ser surpreendente: puxa, eles se parecem com a gente! Isso humaniza e traz para a nossa realidade. O mesmo vale, talvez em maior proporção, para figuras históricas cuja aparência conhecemos apenas por suas estátuas, como os imperadores romanos. Sabemos seus nomes e alguns fatos sobre eles mas ainda parecem muito distantes.

De Marcelo Ribeiro para o HypeScience.

Por isso o diretor de fotografia e designer de realidade virtual Daniel Voshart publicou rostos altamente realistas de 54 imperadores romanos baseados em suas estátuas. Usando aprendizado de máquina ele preencheu as lacunas entre estátua e fotografia. O designer alerta que suas imagens são apenas possibilidades da aparência dos imperadores.

Daniel diz que recriar os rostos de imperadores romanos com IA foi um projeto de quarentena do qual ele perdeu o controle. Mas muitos amaram e tem comprado pôsteres de seus imperadores.

Como os imperadores ganharam suas fotos

(Créditos da imagem: Daniel Voshart).

A imaginação de Daniel começou com um programa de IA/rede neural chamado Artbreeder. O aplicativo gera de forma inteligente novas imagens a partir das existentes e pode combinar várias imagens, gerando híbridos. É viciante — as pessoas já o usaram para gerar quase 72,7 milhões de imagens, afirma o site — e é fácil ver como Daniel gamou nele.

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O projeto do imperador romano começou com Voshart alimentando Artbreeder com imagens de 800 bustos. Obviamente, nem todos os bustos resistiram igualmente aos séculos. Voshart disse ao LiveScience que “existe uma regra prática na programação de computadores chamada ‘lixo entra, lixo sai’ e se aplica ao Artbreeder. Um busto bem iluminado e bem esculpido com poucos danos e características faciais padrão será bastante fácil de obter um resultado”. Por sorte ele conseguiu vários bustos para alguns dos imperadores. E alguns dos mesmos bustos foram fotografados em ângulos diferentes.

Para as representações que Artbreeder produziu, cada rosto exigiu cerca de 15-16 horas de contribuição adicional de Daniel, que foi obrigado a deduzir e adivinhar detalhes como cabelo e cor de pele, embora em muitos casos, as características faciais de um indivíduo sugerissem prováveis ​​pigmentações. Daniel também foi auxiliado por descrições históricas sobre alguns dos governantes.

Não há como saber com certeza com que frequência os palpites de Daniel acertam.

Para uma descrição detalhada do processo de Voshart, verifique suas postagens no Medium ou em seu site.

Calígula

Uma das inúmeras esculturas de Calígula, à esquerda. (Créditos da imagem: Rogers Fund, 1914/Wikimedia Commons/Daniel Voshart).

Calígula foi o terceiro imperador romano, governando a cidade-estado de 37 a 41 DC. Seu nome era na verdade Caio César Augusto Germanicus — Calígula é um apelido que significa “botinha de soldado”. Ele ganhou este apelido de um amigo por ter os pés pequenos.

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Diz-se que um dos grandes loucos da história nomeou um cavalo como seu cônsul, conversou com a lua e causou desastre pelo reino, incluindo suas três irmãs. Calígula é conhecido por sua extrema crueldade, aterrorizando seus súditos, e os relatos sugerem que ele deformaria seu rosto de propósito para surpreender e assustar as pessoas que desejava intimidar.

Uma revista científica de 1928, Studies in Philology, notou que as descrições contemporâneas de Calígula diziam que tinha uma “cabeça deformada, olhos e têmporas afundadas” e “olhos fixos e com um brilho selvagem o suficiente para torturar”. Em algumas esculturas não mostradas acima, sua cabeça tem um formato de bolota.

Nero

Uma das inúmeras esculturas de Nero, à esquerda. (Créditos da imagem: Bibi_Saint-Pol/Wikimedia Commons/Daniel Voshart).

Nero, o imperador famoso por atear fogo em Roma enquanto tocava lira. Seu nome real era Nero Claudius Caesar Augustus Germanicus, foi o quinto imperador de Roma. Ele governou de 54 DC até seu suicídio em 68 DC.

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Outra joia da família Germanicus, Nero disse ter assassinado sua própria mãe, Agripa, bem como (possivelmente) sua segunda esposa. Quanto a sua lira, era um amante da música e das artes, e há histórias de sua caridade. E, ah sim, ele pode ter ateado fogo como desculpa para reconstruir o centro da cidade, tornando-o seu.

Com informações do Big Think.

Este texto foi originalmente publicado por HypeScience. Leia o original aqui.