Incêndios em Krasnoyarsk, Siberia, Julho de 2020. Krasnoyarsk, Siberia .(Créditos da imagem: Greenpeace International).

Animais estão morrendo queimados vivos no Brasil, além de perderem seus lares pelos incêndios florestais. Fotos nas cidades da Califórnia viralizaram nas redes sociais, com os céus laranjas. Entretanto, a Sibéria está sendo pouco falada, embora também esteja ardendo em chamas. Além disso, ela também queima em uma taxa histórica, e deposita grandes quantidades de carbono na atmosfera.

O Ártico, ou seja, a região do polo norte, sofre mais com o aquecimento global do que a média mundial. Há algumas semanas tornou-se notícia uma cidade da Sibéria, Verkhoyansk, que bateu uma temperatura de quase quarenta graus Celsius. No entanto, nessa região, a média de temperatura durante o verão é inferior aos 20 graus Celsius.

Enquanto no hemisfério Sul estamos saindo do inverno, o hemisfério norte sai do verão. Com o calor recorde, as turfas estão descongelando. No entanto, há um grande problema com esse tipo de solo — é inflamável. Inflamável o suficiente até mesmo para servir como combustível em lareiras. E o fato de mais turfas estarem expostas do que o comum trouxe novas possibilidades para os incêndios florestais no Ártico.

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Além do fato de materiais inflamáveis auxiliam na propagação das chamas, a turfa é extremamente rica em carbono. Em outras palavras, quando queima, lança toneladas de carbono na atmosfera. O carbono acumulado nas turfas é de um processo decorrente de milhares de anos. A quantidade de carbono presente nesse solo é realmente alta. Como todos sabemos, os gás carbônico é um dos gases que auxilia na amplificação do efeito estufa.

Incêndios florestais Zumbis?

Conforme o Insider, as chamas russas podem não ter se apagado desde 2019. Somente em julho de 2019, mais de dois milhões e meio de hectares de regiões florestais queimaram, o que equivale a mais de 25.000.000.000 metros quadrados de área. E essas chamas de 2019 podem não ter se apagado de verdade.

“Nós vimos observações de satélite de incêndios ativos que sugerem que os incêndios de ‘Zumbis’ podem ter reacendido, mas não foi confirmado por medições no solo. As anomalias são bastante comuns em áreas que estavam queimando no verão passado”, diz Mark Parrington, Cientista Sênior do CAMS e especialista em incêndios florestais em um comunicado do Copernicus.

“Se for este o caso, então, sob certas condições ambientais, podemos ver um efeito cumulativo da temporada de incêndios do ano passado no Ártico, que irá alimentar a próxima temporada e pode levar a incêndios em grande escala e de longo prazo na mesma região uma vez novamente.”

Espera-se, portanto, é que a neve e o gelo do inverno apaguem o incêndio e, apenas no próximo verão, novas chamas apareçam. No entanto, eles sugerem a possibilidade de que no inverno entre 2019 e 2020, as chamas ficaram queimando lentamente abaixo do gelo, alimentado pelo solo inflamável do Ártico.

O mundo arde em chamas

Não temos problema de incêndio; temos muitos problemas com incêndios. Um, obviamente, é profundo. Tem a ver com combustíveis fósseis e clima”, diz ao The New York Times Stephen J. Pyne, professor emérito da Universidade do Estado do Arizona. Pyne é especialista em incêndios florestais.

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Mas além do Brasil, Estados Unidos e Rússia, outros países queimam. A Indonésia também está repleta de incêndios florestais por motivos semelhantes aos do Brasil: a agricultura. Em julho, a província de Kalimantan chegou a decretar estado de emergência pelos incêndios fora de controle.

A Argentina também enfrenta incêndios em sua zona rural, também por questões de agricultura. A Austrália está apreensiva também para mais uma temporada de incêndios, que surgem de maneira natural, mas saíram do controle no início de 2020. Agora, novos incêndios podem surgir por lá.

Com informações de The New York Times, Insider e Nature.