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Não substituirá os testes, mas a inteligência artificial é uma ótima fonte de informações complementares, analisando padrões de formas humanamente impossíveis, tanto em velocidade, quanto em precisão; e isso pode poupar muitas vidas e acusar falsos negativos em alguns testes. A plataforma, do Hospital das Clínicas da USP e que contou com apoio do Hospital Sírio-Libanês, do Laboratório Fleury  e do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, e que estava prevista para ser lançada apenas em maio, já foi lançada na última quarta-feira (22).

Tudo funciona de forma aberta, por uma plataforma colaborativa, onde quem quiser ajudar, pode alimentar o banco de dados com imagens, já que o machine learning necessita de uma grande quantidade de exemplos; também está disponível para quem quiser utilizar algoritmos próprios.

Conforme explicou a médica Claudia Leite, do Departamento de Radiologia e Oncologia da Faculdade de Medicina da USP, à Folha, “Além da imagens, a plataforma terá dados clínicos como idade, sexo, comorbidades, teste positivo ou não para o novo coronavírus, se internado ou não, se está em uso de ventilação mecânica. Com isso, pretende-se entender melhor a doença e ajudar o médico a identificar quais pacientes podem ter uma piora na evolução do quadro”.

A ideia é que ele seja aplicado na análise de tomografias e raios-x, diretamente pela própria unidade de saúde. No momento, os pesquisadores se baseiam em um algoritmo de uma empresa alemã, mas a ideia é adaptá-lo, ou desenvolver um para a realidade brasileira, diferente da europeia. Há dois anos o HC já trabalhava com o recurso, aplicando em diagnóstico de doenças pulmonares, câncer de mama, câncer de próstata e problemas cerebrais. Por já haver uma “intimidade” com pulmões, não foi difícil adaptá-lo a Covid-19, conforme relatou o presidente do instituto de inovação do Hospital das Clínicas da USP, Giovanni Guido Cerri à Revista Pesquisa Fapesp.

São muitos os institutos voltados à IA aplicada ao combate ao coronavírus em todo o Brasil. Por exemplo, o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), da USP, em São Carlos, está voltando todo seu fôlego para isso, em conjunto com a UFPA, Inpe e Unifesp. Um dos projetos feito pelo ICMC é o CheckCorona, um assistente virtual feito para auxiliar com as dúvidas sobre a doença. Para utilizá-lo, basta adicionar o número +55 16 98112-8986 à sua agenda e contatá-lo pelo WhatsApp. [Revista Pesquisa Fapesp, Folha de São Paulo].