(Créditos da imagem: Südtiroler Archäologiemuseum/EURAC/Marco Samadelli-Gregor Staschitz).

Ötzi, o homem do gelo de 5.300 anos, descoberto congelado nos Alpes italianos em 1991, era uma bagunça médica. Seus dentes estavam apodrecendo, ele tinha um problema no estômago e seus joelhos estavam começando a se degenerar — sem mencionar a flecha nas costas que provavelmente o matou. Agora, um novo estudo conclui que as ervas e tatuagens que ele parece ter usado para tratar suas doenças podem ter sido comuns nessa época, sugerindo uma cultura sofisticada de assistência à saúde nesse momento da história da humanidade.

Estudos anteriores descobriram que Ötzi carregava uma série de medicamentos suspeitos com ele ou dentro dele. Presos a bandas de couro em seu equipamento, os pesquisadores descobriram o fungo poliporo de bétula (Piptoporus betulinus), que o homem do gelo pode ter usado para acalmar a inflamação ou como um antibiótico. Os cientistas também encontraram samambaia em seu estômago, que pode ser usada para tratar parasitas intestinais, como, por exemplo, a tênia. E Ötzi estava coberto com 61 tatuagens (como a que estava nas costas, na foto acima), incluindo pontos ao redor das articulações, que alguns pesquisadores acreditam que podem ter sido usados ​​como tratamento da dor semelhante a uma forma inicial de acupuntura.

No novo estudo, os cientistas analisaram de perto as tatuagens de Ötzi. Algumas linhas e pontos estavam diretamente sobre o pulso e os tornozelos, que sofriam de doenças degenerativas, e muitos correspondem aos pontos de acupuntura tradicionais, relatam os pesquisadores no International Journal of Paleopathology. As marcações demorariam muito tempo para serem produzidas, e essa prática sofisticada — juntamente com a variedade de ervas e medicamentos — provavelmente teria sido desenvolvida por meio de uma abordagem sistemática e dedicada de tentativa e erro, transmitida através das gerações na sociedade em que Ötzi viveu, a equipe conclui.

Tudo isso — combinado com o uso sofisticado de plantas e fungos para tratar doenças — sugere que o Ötzi era parte de uma cultura com algum conhecimento de anatomia, como as doenças surgem e como tratá-las, dizem os cientistas. O que eles não sabem é se algum desses tratamentos realmente funcionou.

Adaptado de Joshua Rapp Learn para a Science.
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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 17 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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