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Medicamentos com hidroxicloroquina são usados de forma efetiva no tratamento de doenças autoimunes e malária. Depois de um pequeno estudo in vitro, que reportou sua possível eficácia contra o SARS-CoV-2 e outros estudos com resultado promissor, houve quem apostasse no potencial dessa droga para o tratamento da Covid-19.

De Liliane Jochelavicius para o HypeScience.

Mas dois novos estudos de uma série realizada mostram que a droga não funciona no tratamento dessa doença. Embora testes laboratoriais da droga para o combate da Covid-19 parecessem promissores, evidências de estudos clínicos indicam que a hidroxicloroquina não oferece benefícios significativos.

Novos estudos

Um dos dois últimos estudos foi realizado por pesquisadores na França. Nele foi avaliada a efetividade e segurança da hidroxicloroquina comparada com tratamento padrão em 181 adultos hospitalizados com pneumonia provocada pela Covid-19 com necessidade de oxigênio, mas não de tratamento intensivo.

Dentro de 48 horas após admissão no hospital, 84 pacientes foram tratados com a hidroxicloroquina, oito pacientes receberam tratamento com a droga depois de 48 horas e 97 receberam tratamento padrão sem hidroxicloroquina.

O uso do medicamento não representou redução significativa na necessidade de tratamento intensivo ou morte no período de sete dias. Nem diminuiu o desenvolvimento de síndrome respiratória aguda grave dentro de dez dias.

Os resultados não corroboram o uso da hidroxicloroquina em pacientes internados com pneumonia em consequência da Covid-19 de acordo com o pesquisador líder do estudo Matthieu Mahevas.

O segundo estudo publicado foi conduzido na China por Qing Xie e incluiu 150 adultos hospitalizados em sua maioria com sintomas entre leve e moderado da Covid-19. Metade dos participantes foi tratada com hidroxicloroquina além do tratamento padrão, enquanto a outra metade recebeu apenas o tratamento padrão.

Os dois grupos apresentaram taxas semelhantes de recuperação depois de 28 dias. Mas aqueles que foram medicados com hidroxicloroquina apresentaram mais eventos adversos. A diferença na redução de sintomas entre os dois grupos foi pequena. Por isso os autores consideraram que os resultados não dão suporte ao uso da droga no tratamento de pacientes com sintomas leves e moderados da doença.

A Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos adverte quanto ao uso do medicamento fora de ensaios clínicos ou ambiente hospitalar devido ao risco de problemas de arritmia cardíaca. [WebMDThe BMJ e Unicamp].