(Créditos da imagem: Martynasfoto/iStock).

Na história do HIV, apenas um paciente conseguiu mostrar que a cepa mais comum do vírus, o HIV-1, pode ser colocada em regressão. Até agora.

Depois de mais de uma década, e com mais de meio trilhão de dólares gastos com pesquisa sobre HIV/AIDS neste século, finalmente sabemos que esse resultado incrível pode ser replicado.

Pela segunda vez, um paciente experimentou uma regressão sustentada da infecção pelo HIV-1 após ser tratado com transplantes de células-tronco, relatam cientistas em um novo artigo que deve ser publicado na revista Nature.

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Já faz 12 anos desde que o famoso “paciente de Berlim” fez história ao se tornar a primeira pessoa a sustentar a regressão do HIV-1 sem receber remédios anti-retrovirais (ARV, na sigla em inglês), mas o caso recém-anunciado de um paciente britânico anônimo demonstra que o primeiro resultado não foi único.

“Ao alcançar a regressão em um segundo paciente usando uma abordagem semelhante, mostramos que o paciente de Berlim não era uma anomalia, e que realmente foram as abordagens de tratamento que eliminaram o HIV nessas duas pessoas”, diz o virologista Ravindra Gupta, da University College London.

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O paciente de Berlim era, na verdade, um americano diagnosticado com HIV enquanto morava na Alemanha. Em 2007, ele recebeu uma forma rara de transplante de medula óssea envolvendo células-tronco hematopoiéticas para tratar sua leucemia.

Inesperadamente, o tratamento com células-tronco — de um doador com uma mutação do gene CCR5, que é um co-receptor para a infecção pelo HIV-1 — fez com que o HIV do paciente de Berlim entrasse em regressão, onde permaneceu desde então.

Por essa razão, ele é frequentemente descrito como o primeiro paciente a ser curado do HIV, embora tecnicamente isso seja incorreto, já que a regressão e a cura não são a mesma coisa.

No novo caso, agora apelidado de “paciente de Londres”, o homem anônimo também recebeu um tratamento com células-tronco de um doador com a mesma mutação do gene CCR5, desta vez enquanto estava sendo tratado para o linfoma de Hodgkin.

Dezasseis meses após o procedimento (que não incluiu a radioterapia, ao contrário do paciente de Berlim), o paciente de Londres interrompeu os medicamentos ARV e atualmente está em regressão do HIV há mais de 18 meses.

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Segundo os cientistas, ainda é cedo demais para dizer que ele está totalmente curado, mas ainda assim é um passo extremamente promissor que nos ensina mais sobre como os pacientes de Berlim e de Londres estão mantendo o HIV sob controle.

Os médicos dizem que precisarão continuar monitorando o paciente de Londres para observar como a sua condição se desenvolve a partir deste momento. Os médicos também ressaltam que esse tratamento não necessariamente funciona com todos os pacientes — sem mencionar que as células-tronco doadas usadas neste caso são muito raras devido à mutação específica do CCR5 envolvida.

No entanto, pesquisas futuras sobre como esse receptor HIV funciona podem nos aproximar muito de uma eventual cura para o HIV, que atualmente infecta cerca de 37 milhões de pessoas em todo o mundo.

“Este segundo caso documentado reforça a mensagem de que a cura do HIV é possível”, diz o pesquisador de infecção e imunidade Anthony Kelleher, da UNSW, na Austrália, que não esteve envolvido no estudo.

Fonte:ScienceAlert
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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 18 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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