(Créditos da imagem: Lionsgate).

Quando você vê um paciente inconsciente em um filme, você sabe o que ele está pensando por conta das mensagens transcritas que aparecem na tela (como no filme A Nona Vida de Louis Drax, por exemplo) ou pelo menos escuta uma espécie de narração.

Isso agora pode não ficar inteiramente na ficção científica. Adrian Owen, neurocientista e professor de neurociência cognitiva e imaginologia da Universidade de Western Ontario, no Canadá, e sua equipe de pesquisa estão usando interfaces cérebro-computador com tecnologia avançada para obter respostas diretamente de pessoas que não podem responder por si de outra maneira. Quaisquer decisões importantes relacionadas a pacientes incapazes de se comunicarem, normalmente são tomadas por outras pessoas.

Quando se trata de questões da vida ou morte, saber o que o paciente considera é fundamental.

“As Interfaces Cérebro-Computador (ICCs) estão se tornando uma ferramenta cada vez mais popular para melhorar a qualidade de vida de pacientes com deficiência”, disse Owen em um estudo publicado na Frontiers in Neuroscience. “Recentemente, as ICCs baseadas em espectroscopia funcional de infravermelho com resolução de tempo (TR-fNIRS) estão ganhando força devido à sua maior sensibilidade à profundidade”, acrescentou.

As ICCs são dispositivos que permitem ao cérebro se comunicar com um dispositivo externo que “fala” por eles. A versão de Owen usou a espectroscopia funcional de infravermelho próximo, um método não invasivo que mede as alterações na luz infravermelha e processa os sinais para descobrir a resposta hemodinâmica ou o aumento dos níveis de oxigênio no sangue que ocorre quando mais sangue flui para a frente do cérebro. Até a NASA desenvolveu sua própria versão para monitorar o que está acontecendo no cérebro dos astronautas — a diferença, no entanto, é que os astronautas estão conscientes.

A ICC de Owen também adiciona detecção com resolução de tempo (TR) a essa tecnologia. A atividade cerebral detectada pelo fNIRS é visível em uma tela digital. Fótons — partículas de luz — são o que faz a tela acender quando há mudanças na oxigenação do sangue. O TR os observa e registra quando cada fóton chega a essa tela, permitindo uma maior sensibilidade de profundidade (sensibilidade ao que ocorre mais profundamente no cérebro). Como os fótons iniciais não precisam viajar tanto, o TR pode identificar aqueles que chegam à tela mais tarde como provenientes de regiões mais profundas.

Depois das detecções, Owen precisava observar a atividade cerebral real que ocorreu quando participantes saudáveis ​​receberam perguntas para responder. Ele não perguntou imediatamente sobre coisas como, por exemplo, permanecer ou não sob um ventilador ligado. Os participantes foram instruídos a imaginar que estavam jogando tênis quando a resposta fosse “sim” e a permanecerem relaxados quando a resposta fosse “não”. Então, para respostas positivas, a área do cérebro que responde a movimentação se acendeu na tela.

Em seguida, as alterações na hemoglobina oxigenada e desoxigenada foram medidas, e a oxigenada ou oxihemoglobina mostrou melhores indicações da atividade cerebral que uma determinada tarefa havia ativado. As respostas afirmativas provocaram um aumento na oxihemoglobina e uma ligeira diminuição na desoxihemoglobina.

“As respostas afirmativas mostram as mudanças hemodinâmicas esperadas na oxioxihemoglobina e na desoxihemoglobina, que, quando a resposta é negativa, não ocorre”, relatou Owen. “Esse trabalho destaca o potencial da TR-fNIRS como uma interface cérebro-computador para comunicação”, finalizou o pesquisador.

Os ICCs que usam TR-fNIRS ainda precisam de mais estudos para evitar possíveis erros que possam provocar a interpretação errada de uma resposta de pacientes inconscientes reais — mas estamos muito mais perto de dar voz a eles. [Syfy Wire].