(Créditos da imagem: Hulton Archive/Getty).

A NASA poderá detectar as vegetações, as diferentes características da superfície ou até sinais de habitabilidade em exoplanetas distantes, graças a um futuro telescópio de lente gravitacional solar.

O Telescópio de Lente Gravitacional Solar (SGL, na sigla em inglês) pode permitir a observação de exoplanetas distantes com resolução sem precedentes. De acordo com a agência estadunidense, o telescópio pode revelar se há vida em outras partes do Universo.

O desenvolvimento do telescópio faz parte do Programa NASA Innovative Advanced Concepts, que visa nutrir ideias visionárias que possam transformar futuras missões a partir do desenvolvimento de conceitos aeroespaciais radicalmente melhores ou inteiramente novos, ao mesmo tempo em que envolvem empreendedores como parceiros.

Concepção artística do Kepler-186f, exoplaneta semelhante com a Terra localizado na zona habitável da sua estrela. (Créditos da imagem: NASA Ames/JPL-Caltech/T. Pyle).

De acordo com uma descrição do projeto do telescópio, o objetivo será “observar diretamente um exoplaneta semelhante à Terra em nossa vizinhança estelar”. Ainda de acorco com a descrição do projeto, após 6 meses de observações, “uma resolução de cerca de 25 km será alcançada, o suficiente para distinguir características da superfície e sinais de habitabilidade”.

O grande desafio de usar uma lente gravitacional

Albert Einstein previu pela primeira vez há 84 anos que a luz ao redor das bordas do Sol convergem em uma lente a cerca de 550 unidades astronômicas (cerca de 82 bilhões de quilômetros) da Terra.

Slava Turyshev, físico do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e principal autor de um estudo relacionado, diz que o fenômeno pode nos fornecer imagens surpreendentemente detalhadas de planetas distantes.

“Na poderosa região de interferência do SGL, a luz é fortemente amplificada, formando o anel de Einstein ao redor do Sol e representando uma imagem distorcida da fonte estendida”, disse.

No entanto, há um importante obstáculo a ser superado.

“Deveríamos transportar o telescópio com um coronógrafo solar a uma distância extraordinária do Sol”, explica Turyshev. Para colocar em perspectiva, a Voyager I (a sonda espacial lançada em 1977) atualmente está a cerca de 123 unidades astronômicas da Terra, e atingiu as bordas do Sistema Solar somente em 2012, mas ainda assim é o objeto construído pelo homem mais longínquo. Por isso, o transporte do SGL será um grande desafio.

“Continuaremos a apresentar a missão de geração de imagens SGL à comunidade científica para obter suporte mais amplo. Como essa missão é a única maneira de visualizar um exoplaneta potencialmente habitável em detalhes, estamos, portanto, vendo o interesse público e o entusiasmo significativos que poderiam motivar o necessário financiamento governamental e privado”, disse Turyshev. [Trust My Science, Universidade Cornell, NASA e SoCientifica].