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Vivemos em uma sociedade industrial que necessita da energia proveniente da utilização de combustíveis fósseis para a manutenção de suas atividades. Um dos combustíveis mais importantes atualmente é o carvão mineral, largamente utilizado no Hemisfério Norte para a geração de eletricidade para as moradias. O carvão mineral é utilizado também pela indústria siderúrgica na produção de ferro e de aço, utilizados na fabricação de diversos tipos de equipamentos.

Entretanto, é importante entender que esse carvão não é um mineral como o ouro ou o alumínio, pois é um material orgânico, formado através de processos de fossilização de plantas primitivas.

Boa parte do carvão utilizado nos dias de hoje provém de restos pré-históricos de primitivos vegetais terrestres, especificamente dos que ocorreram no período Carbonífero, há aproximadamente cerca de 300 milhões de anos. Sabe-se que cinco grupos principais de plantas primitivas estiveram envolvidas nesse processo de formação do carvão mineral: licopódios, equisetos, samambaias (esses três são plantas vasculares sem sementes), pteridospermas (hoje extintas) e gimnospermas primitivas.

É curioso pensar que os três primeiros grupos de plantas mencionadas (licopódios, equisetos e samambaias) são pequenas e relativamente raras de serem encontradas, mas foram responsáveis pela formação de grandes depósitos de carvão mineral no planeta. Além disso, os vegetais que hoje estão extintos possuíam grande porte e formavam extensas florestas em diversas partes do mundo.

Durante o período Carbonífero o clima era quente e, portanto, favorável ao crescimento das plantas durante todo o ano. As florestas formadas por essas plantas eram extensas e ocupavam regiões litorâneas, mais precisamente nas áreas costeiras e baixas que eram periodicamente inundadas pelas águas do mar, quando seu nível se elevava. Quando o nível do mar reduzia, essas plantas voltavam a ocupar a área.

Os restos dessas plantas submergiam no terreno pantanoso e não sofriam completa decomposição, pois as condições anaeróbicas da água impediam a proliferação de fungos decompositores. Camadas de sedimentos cobriam os restos vegetais semidecompostos, quando o nível do mar subia e inundava as regiões baixas e pantanosas. Com o tempo, o calor e a pressão nessas camadas de sedimentos aumentavam, transformando o vegetal acumulado em carvão; as camadas de sedimentos eram transformadas em rochas sedimentares.

Uma curiosidade interessante é que em alguns momentos da história, muito depois dos processos explicados anteriormente, movimentos geológicos elevaram as camadas de carvão e de rochas sedimentares. Nisto está a explicação da presença de carvão no alto das montanhas Apalaches, nos Estados Unidos.

Sabemos também que existem diferentes tipos de carvão mineral, como o linhito e o antracito, formados devido às diferentes temperaturas e pressões a que foram submetidos aos restos vegetais.

Jessika Albuquerque
Jessika Gabriel de Albuquerque, graduanda em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e membra do Laboratório de Ecologia de Térmitas (LET). Ministra aulas e realiza pesquisas científicas, além de ser autora em jornais e sites de divulgação científica.