(Créditos da imagem: Shutterstock).

Todo mundo quer um buraco de minhoca. Quero dizer, quem quer se preocupar em percorrer as longas e lentas rotas por todo o Universo, levando dezenas de milhares de anos apenas para alcançar outra estrela chata? Não quando você pode aparecer na abertura mais próxima do buraco de minhoca, dar um pequeno passeio e acabar em algum canto exótico do Universo.

Porém, há uma pequena dificuldade técnica: os buracos de minhoca, que são curvas no espaço-tempo tão extremas que se forma um túnel de atalho, são catastroficamente instáveis. Assim que você envia um único fóton pelo buraco, ele cai mais rápido que a velocidade da luz.

Mas um artigo recente, publicado na revista de pré-impressão arXiv, encontrou uma maneira de construir um buraco de minhoca quase estável, que entra em colapso, mas devagar o suficiente para enviar mensagens — e potencialmente até coisas. Tudo que você precisa é de alguns buracos negros e algumas cordas cósmicas infinitamente longas.

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Fácil demais.

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O problema do buraco de minhoca

Em princípio, construir um buraco de minhoca é bastante direto. Segundo a Teoria da Relatividade Geral de Einstein, massa e energia distorcem o tecido do espaço-tempo. E uma certa configuração especial de matéria e energia permite a formação de um túnel, um atalho entre duas partes distantes do Universo.

Infelizmente, esses buracos de minhoca são fantasticamente instáveis. Um único fóton passando pelo buraco de minhoca desencadeia uma cascata catastrófica que destrói o buraco de minhoca. No entanto, uma dose saudável de massa negativa — sim, isso é matéria, mas com um peso oposto — pode neutralizar os efeitos desestabilizadores da matéria comum que tenta passar pelo buraco de minhoca, tornando-o atravessável.

Ok, mas matéria com massa negativa não existe, então precisamos de um novo plano.

Vamos começar com o próprio buraco de minhoca. Precisamos de uma entrada e uma saída. Teoricamente, é possível conectar um buraco negro (uma região do espaço onde nada pode escapar) a um buraco branco (uma região teórica do espaço onde nada pode entrar). Quando essas duas criaturas estranhas se juntam, elas formam uma coisa totalmente nova: um buraco de minhoca. Assim, você pode pular em qualquer extremidade deste túnel e, em vez de ser esmagado, simplesmente sai inofensivamente para o outro lado.

Ah, mas buracos brancos também não existem. Cara, isso está ficando complicado.

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Carregue-o

Como os buracos brancos não existem, precisamos de um novo plano. Felizmente, a matemática revela uma resposta possível: um buraco negro carregado. Os buracos negros podem carregar uma carga elétrica (não é comum por causa da forma como eles são formados naturalmente, mas aceitaremos o que podemos obter). O interior de um buraco negro carregado é um lugar estranho, com a singularidade normal de um buraco negro esticada e distorcida, permitindo que ele forme uma ponte para outro buraco negro com carga oposta.

Voilà! Um buraco de minhoca, usando apenas coisas que podem realmente existir.

Mas esse buraco de minhoca oriundos de buracos negros carregados tem dois problemas. Um, ainda é instável e, se algo ou alguém realmente tentar usá-lo, desmorona. A outra é que os dois buracos negros carregados de maneira oposta serão atraídos um pelo outro — através de forças gravitacionais e elétricas — e se eles se fundirem, você terá um único buraco negro, grande, com carga neutra e totalmente inútil.

(Créditos da imagem: Shutterstock).

Coloque um arco cósmico nele

Portanto, para que tudo funcione, precisamos garantir que os dois buracos negros carregados fiquem afastados um do outro para que o túnel do buraco de minhoca possa se manter aberto. Uma solução potencial: cordas cósmicas.

Cordas cósmicas são hipotéticos defeitos topológicos, semelhantes às rachaduras que se formam quando o gelo congela, no tecido do espaço-tempo. Essas sobras cósmicas teriam se formado nos primeiros e inebriantes dias das primeiras frações de segundo após o Big Bang. Essas cordas são objetos verdadeiramente exóticos, não são maiores em comprimento que um próton, mas com uma única polegada de comprimento superaria o peso do Monte Everest. Você nunca iria querer encontrá-los mesmo, pois eles o cortariam ao meio como um sabre de luz cósmico, mas você não precisa se preocupar muito, pois nem temos certeza de que eles existem, e nunca vimos um lá fora no Universo.

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Ainda assim, não há razão para que eles não possam existir, então eles são um jogo justo.

Eles têm outra propriedade muito útil quando se trata de buracos de minhoca: uma ​​tensão enorme. Em outras palavras, eles realmente não gostam de ser empurrados. Se você ”rosquear” o buraco de minhoca com uma corda cósmica, e permitir que a corda passe pelas bordas externas dos buracos negros e se estendesse de uma das extremidades até o infinito, a tensão na corda impediria que os buracos negros carregados sejam atraídos um contra o outro, separando as duas extremidades do buraco de minhoca. Essencialmente, as extremidades distantes das cordas cósmicas agem como duas equipes opostas em um cabo de guerra, impedindo a união dos buracos negros.

Acalmando os tremores

Uma corda cósmica resolve um dos problemas (mantendo as extremidades abertas), mas não impede que o próprio buraco de minhoca entre em colapso se você realmente o usar. Então, vamos lançar uma outra corda cósmica, que também separa o buraco de minhoca, mas que também faz um loop no espaço normal entre os dois buracos negros.

Quando as cordas cósmicas são fechadas em um loop, elas se mexem — e muito. Essas vibrações agitam o próprio tecido do espaço-tempo ao seu redor e, quando ajustadas corretamente, as vibrações podem fazer com que a energia do espaço em suas proximidades fique negativa, agindo efetivamente como massa negativa dentro do buraco de minhoca, potencialmente estabilizando-o.

Parece um pouco complexo, mas no artigo recente, uma equipe de físicos teóricos deu instruções passo-a-passo para a construção de um buraco de minhoca. Não é uma solução perfeita: eventualmente as vibrações inerentes às cordas cósmicas — as mesmas que podem manter o buraco de minhoca aberto — atraem energia e, portanto, massa, para longe da corda, tornando-o cada vez menor.

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Essencialmente, com o tempo, as cordas cósmicas acabarão por cair no esquecimento, com o colapso completo do buraco de minhoca não muito atrás. Mas o buraco de minhoca poderia permanecer estável o tempo suficiente para permitir que mensagens ou até objetos viajassem pelo túnel antes de tudo isso acontecer, o que é bom.

Mas primeiro precisamos encontrar algumas cordas cósmicas. [LiveScience].

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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 18 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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