(Créditos da imagem: Kateryna Kon/Shutterstock).

O cérebro humano contém cerca de 80 bilhões de neurônios, cada um se unindo a outras células para criar trilhões de conexões que são chamadas de sinapses.

Um estudo publicado em 2017 anulou uma suposição de 100 anos sobre o que exatamente faz uma “ação” do neurônio, criando novos mecanismos por trás de certos distúrbios neurológicos.

Uma equipe de físicos da Universidade Bar-Ilan, em Israel, realizou experimentos com neurônios de ratos cultivados in-vitro para determinar exatamente como um neurônio responde aos sinais que recebe de outras células.

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Para entender por que isso é importante, precisamos voltar a 1907, quando o neurocientista francês Louis Lapicque propôs um modelo para descrever como a tensão da membrana de uma célula nervosa aumenta à medida que uma corrente é aplicada.

Uma vez atingido um certo limiar, o neurônio reage com um pico de atividade, após o qual a tensão da membrana é redefinida. O que isto significa é que um neurônio não enviará uma mensagem a menos que receba um sinal suficientemente forte.

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As equações de Lapique não foram a última palavra sobre o assunto, não de longe. Mas o princípio básico de seu modelo de integração-e-ação permaneceu relativamente incontestado nas descrições subsequentes, hoje formando a base da maioria dos esquemas computacionais neuronais.

De acordo com os pesquisadores, a longa história da ideia significa que poucos se preocuparam em questionar se ela está correta.

“Chegamos a essa conclusão usando uma nova configuração experimental, mas em princípio esses resultados podem ter sido descobertos usando tecnologia que existe desde os anos 80”, disse o pesquisador Ido Kanter em 2017. “A crença que está enraizada no mundo científico há 100 anos resultou nesse atraso de várias décadas.”

Os experimentos abordaram a questão a partir de dois ângulos — um explorando a natureza do pico de atividade baseado exatamente onde a corrente foi aplicada a um neurônio e o outro examinando o efeito que múltiplas entradas tiveram sobre o disparo de um nervo.

Os resultados sugerem que a direção de um sinal recebido pode fazer toda a diferença em como um neurônio responde.

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Um sinal fraco da esquerda chegando com um sinal fraco da direita não se combinará para construir uma voltagem que desencadeie um pico de atividade. Mas um único sinal forte de uma determinada direção pode resultar em uma mensagem.

Essa maneira potencialmente nova de descrever o que é conhecido como soma espacial pode levar a um novo método de categorização de neurônios, um que os classifica com base em como eles calculam os sinais recebidos ou quão fina é sua resolução, com base em uma direção específica. Pode até descadear descobertas que explicam certos distúrbios neurológicos.

É importante não jogar fora um século de conhecimento sobre o assunto na parte de trás de um único estudo. Os pesquisadores também admitem que só analisaram um tipo de neurônio chamado de “neurônios piramidais”, deixando muito espaço para futuros experimentos. [ScienceAlert].

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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 18 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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