Concepção artística de um dos modelos da nova FNM na rua. (Créditos da imagem: FNM).

Muitos brasileiros sonham com uma possível vinda da Tesla para o Brasil. Bom, lamento te informar, mas provavelmente o Brasil não é um mercado compatível com a Tesla. Possivelmente os veículos elétricos serão introduzidos no Brasil por alguma marca chinesa. Entretanto, o jogo pode estar mudando, e uma fabricante nacional de veículos elétricos pode estar surgindo.

Na segunda metade do século XX, existiu a Fábrica Nacional de Motores (FNM), que produzia caminhões, mas acabou morrendo nos anos 1980. Agora, a FNM está voltando, mas a sigla agora representa Fábrica Nacional de Mobilidades. Renovada, a FNM continuará produzindo caminhões, mas elétricos.

Chamada de “fenemê”, seu surgimento ocorreu na década de 1940, sob o governo de Getúlio Vargas. Naquele momento, a empresa atuava em um setor estratégico, a fabricação de motores de aviões, durante a Segunda Guerra Mundial. A partir do final da década de 1940 e início dos anos 50, iniciou a produção de caminhões.

O Brasil já possuiu uma empresa que fabricou carros elétricos, a Gurgel, que foi sediada na cidade de Rio Claro – SP. Entretanto, a Gurgel era inovadora de mais para a época. Ainda na década de 1970 a empresa apresentou seu primeiro veículo elétrico, o Itaipu E150. Ela também fabricava carros à combustão, claro. Após apresentar dificuldades por diversos motivos, na década de 1990 ela entrou em declínio, o governo federal negou ajuda e em 1994 a empresa declarou falência. Seu potencial só foi valorizado postumamente. Hoje, diversos países da Europa já possuem planos para atingir zero emissões em breve – agora sim é o momento para a tecnologia de veículos elétricos vir ao Brasil.

A nova FNM promete iniciar suas atividades já em novembro, na cidade de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, um polo do setor de transportes, com empresas como Marcopolo e Agrale, empresas que dão origem aos dois nomes por trás da nova FNM: José Antonio e Alberto Martins, filhos de um ex-executivo da Marcopolo, com o apoio da Agrale. Além de fabricar veículos elétricos, ela oferecerá a conversão de caminhões a diesel em caminhões elétricos, o RePower.

Pelo menos no início, o funcionamento será um pouco modesto. As baterias e os outros sistemas eletrônicos serão importados nos Estados Unidos. A montagem final ficará por conta da FNM, que utilizará as instalações da Agrale. No lançamento, são apenas dois modelos de caminhão. É um início modesto, mas é apenas um início. Todos os modelos contarão com conexão à internet e possuirão sistemas anti colisão e outros sistemas que podem ser entregues por inteligência artificial.

O primeiro modelo é o FNM 832, com 6,30 metros e um peso bruto total de 13 toneladas. O segundo, FNM 833, possui 7,20 metros de comprimento e um peso bruto total de 18 toneladas. Os preços ainda não foram anunciados. A empresa também visa a produção de ônibus elétricos. A FNM ainda não divulgou os preços dos veículos.

O FNM 832. (Créditos da imagem: FNM).

“O novo FNM é um ‘smart-truck’. Utiliza tecnologias de ponta, com tablet ligado com a TI operacional e com os sistemas de logística das empresas, incluindo monitoramento, soluções inovadoras de vídeo-telemática de câmeras anti-colisão com inteligência artificial, mudança de pista […]”, diz no site da FNM  Marco Aurélio Rozo, diretor de Tecnologia de Informação da empresa. “Tudo sendo transmitido em tempo real para o centro de gestão dos frotistas e para a ‘nuvem FNM’… E com tudo pronto para se tornar um ‘caminhão autônomo’ no futuro’”, completa.

O FNM 833. (Créditos da imagem: FNM).

Fora do campo dos ônibus e caminhões, a Agrale, uma empresa brasileira, pretende fechar um acordo com uma startup australiana para utilizar seu modelo Marruá, um veículo militar nacional em um utilitário elétrico 4×4, chamado Bortana EV, o que indica que veículos voltados para ramos além da logística podem não vir da FNM, mas da Agrale – ou elas podem simplesmente abrir portas para outras empresas nacionais surgirem na fabricação de veículos elétricos para o público comum. De qualquer forma, estamos vendo o futuro chegar ao Brasil.

Referências:

  1. Carros.ig. “Conheça detalhes dos caminhões elétricos da nova FNM”. Acesso em: 26 jul. 2020.
  2. Estadão. “FNM está de volta e fará caminhões elétricos”. Acesso em: 26 jul. 2020.
  3. FNM. “A volta da marca FNM – Em nome da força”. Acesso em: 26 jul. 2020.