(Créditos da imagem: Arquivo pessoal/Ana Carla).

Para muitos, os termos fauna e flora são conhecidos e utilizados para designar, respectivamente, todos os animais e plantas existentes em uma determinada região. Porém, poucos conhecem o termo funga, usado para denominar o conjunto de todos os fungos presentes em uma região.

Fungos são organismos eucarióticos, uni ou multicelulares, com parede celular constituída principalmente por quitina. São heterotróficos com nutrição absortiva e reserva energética constituída principalmente por glicogênio. Frequentemente desenvolvem um corpo multicelular, ramificado e tubular, constituído por hifas. São os denominados fungos filamentosos. Alternativamente, diferentes linhagens adaptaram o seu corpo a uma organização unicelular denominada levedura.

Os fungos surgiram há centenas de milhões de anos e são encontrados em todo o globo terrestre, nos mais variados ambientes, desempenhando papéis de extrema importância, com destaque para a atividade decompositora, que permite que nutrientes liberados da matéria orgânica morta entrem novamente em seus ciclos. Fungos são empregados em muitos processos, devido, por exemplo, à participação em biotransformações, como a fermentação alcoólica, usada para a produção de produtos como o pão, vinho e cerveja; produção de metabólitos, como antibióticos e promotores de crescimento das plantas; produção de enzimas e de outros produtos utilizadas por diversos tipos de indústrias; biorremediação de ambientes contaminados; e controle biológico de insetos, nematoides e fungos causadores de doenças de plantas. No que se refere a aspectos prejudiciais, podem deteriorar produtos; produzir micotoxinas com efeito tóxico sobre outros organismos; atuar como patógenos de muitas plantas cultivadas; e causar processos alérgicos e infecciosos em humanos.

Apesar da importância dos fungos, não havia, até pouco tempo, a padronização de um termo coletivo para mencioná-los. O mesmo ocorre com outros microrganismos, para os quais ainda não existe um termo equivalente à Fauna, Flora e Funga. Embora outras sugestões de termos já haviam sido feitas (Hawksworth, 2000), não houve consenso entre a comunidade micológica sobre qual deveria ser recomendada para uso geral. Em 2018, Funga foi proposto em um artigo científico (Kuhar et al., 2018) de autoria de pesquisadores da Argentina, Brasil, Chile e Estados Unidos, como o termo mais apropriado para tratamentos sistemáticos e descritivos dos fungos de uma área específica.

O reconhecimento dos 3F (Fauna, Flora e Funga) facilitará a inserção da micologia (ciência que estuda os fungos) em questões importantes, como políticas educacionais e agrícolas, proteção de habitats e de espécies, e conservação da diversidade biológica, essencial para a manutenção do equilíbrio na Terra.

Referências:

  1. Hawksworth DL (2000) Mycobiota, mycota or funga? Mycological Research 104: 1283.
  2. Kuhar F; Furci G; Drechsler-Santos ER; Pfister D (2018) Delimitation of Funga as a valid term for the diversity of fungal communities: the Fauna, Flora & Funga proposal (FF&F). IMA Fungus 9: 71-74.
Ana Carla Santos
Rondoniana que cresceu no sertão do Rio Grande do Norte e também sente-se pernambucana. Graduada em Ciências Biológicas, Mestre e Doutora em Biologia de Fungos. Atualmente é pesquisadora de pós-doutorado, desempenhando suas atividades na Universidade Federal de Pernambuco e Universidade Federal do Agreste de Pernambuco. Tem interesse, principalmente, pelas áreas micologia, biologia molecular e genética, ecologia e educação ambiental.