Um problema de resfriamento no GOES-17, o mais novo satélite meteorológico da NOAA, está pondo em perigo as futuras previsões meteorológicas da agência. (Créditos da imagem: NASA).

Um sistema de resfriamento empoeirado está causando dúvidas sobre o futuro do satélite meteorológico multibilionário dos Estados Unidos, o Satélite Ambiental Operacional Geoestacionário 17 (GOES-17, na sigla em inglês), relatou a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês). Os técnicos estão lutando agora para entender o problema, que surgiu há várias semanas no principal instrumento do satélite.

Lançado em 1º de março, o GOES-17 é o segundo satélite meteorológico geoestacionário de última geração da NOAA, de um programa de quatro partes com custo de US$11 bilhões. Após seis meses de avaliação, o satélite foi montado para monitorar a metade ocidental dos Estados Unidos, assim como seu irmão, o GOES-16, lançado em 2016, que agora pesquisa a metade oriental do país. Para isso, o GOES-17 usaria uma câmera de 16 canais, chamada Advanced Baseline Imager (ABI), capaz de capturar a altitude do vento, da chuva e das nuvens em detalhes.

Para capturar 13 desses canais, ou seja, as bandas de infravermelho e infravermelho próximo, a ABI deve ser mantida a -213 °C — façanha nada fácil graças ao rápido aquecimento e resfriamento que ela experimenta com sua exposição diária ao Sol. E agora, durante cerca de metade do dia, com um pico em torno da meia-noite no horário padrão da costa leste dos Estados Unidos, o sistema de refrigeração simplesmente não atinge essas temperaturas. “Estamos tratando isso com muita seriedade”, disse Joe Pica, diretor do escritório de observações do Serviço Nacional de Meteorologia da NOAA em Silver Spring, Maryland. “Estamos tentando entender a anomalia e tentando encontrar maneiras de fazer os mecanismos do sistema de resfriamento funcionar adequadamente”. O GOES-16 tem uma câmera idêntica, mas seu sistema de resfriamento até agora operou sem falhas.

O problema vem como um “golpe” para a NOAA, que está em ritmo acelerado após lançar com sucesso três satélites meteorológicos de última geração — os GOES-16 e -17 e o Joint Polar Satellite System — em um período de 18 meses. Essas espaçonaves enfrentaram atrasos e continuaram a consumir cada vez mais o orçamento da NOAA, atraindo atenção constante do Congresso estadunidense. Com o mau funcionamento da ABI, essa atenção provavelmente retornará.

A agência ainda está tentando diagnosticar o problema exato, o que parece ser uma questão mecânica envolvendo os tubos de resfriamento e o radiador da ABI. Por volta da meia-noite, na órbita geoestacionária localizada a 36 mil quilômetros acima do equador, o Sol espreita “sobre o ombro” da Terra e diretamente na câmera da ABI. No GOES-16, o calor solar é passado para o líquido refrigerante, que faz a transição para um vapor e é então passado através de um radiador para dissipar o calor para o espaço. Por algum motivo, esse resfriamento não está acontecendo com o novo sistema do satélite GOES-17.

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O problema técnico não tem impacto imediato nas previsões meteorológicas do país — além do GOES-16, a NOAA tem dois satélites geoestacionários mais antigos operando em órbita, um cobrindo o flanco oeste do país e um servindo como backup. Ambos os satélites podem durar até a próxima década, mas o que está em risco de ser perdido são as melhorias previstas que viriam de um satélite totalmente operacional, diz Steve Volz, que lidera o Serviço de Satélite e Informações da NOAA em Silver Spring. “Se os esforços para restaurar o sistema de resfriamento não forem bem-sucedidos, analisaremos os conceitos para maximizar sua utilidade”.

Em particular, “as bandas infravermelhas fornecem insumos importantes para modelos climáticos para detectar movimentos de vento em vários níveis na atmosfera”, diz Pica. E a ABI também é uma funcionalidade crítica para fornecer perfis verticais de temperatura e umidade, um produto que já havia sido manuseado por um instrumento separado em satélites mais antigos, acrescenta Cliff Mass, cientista atmosférico da Universidade de Washington, em Seattle. No pior dos casos, durante quase metade do dia, essas capacidades podem ser perdidas. Mesmo em tal situação, no entanto, os cinco outros instrumentos do satélite, focados no clima espacial e no mapeamento de raios, parecem estar operando como planejado, acrescentou Volz.

A NOAA já finalizou as câmeras ABI para os dois últimos satélites desta geração, e a próxima deverá ser lançada em 2020. Além de avaliar e tentar consertar o GOES-17, a agência está trabalhando com a Harris Corporation, fabricante da ABI, para diagnosticar se mudanças serão necessárias para os instrumentos que tem à mão. “É muito cedo para dizer se o problema pode acelerar ou atrasar o próximo lançamento do GOES”, acrescentou Volz.

“Obviamente não é o que você quer ver. É desanimador”, disse Volz. Mas é parte do risco que vem ao se operar no espaço. Durante sua longa carreira na NOAA e na NASA, Volz diz que viu apenas meia dúzia de anomalias como essa. É sempre um desafio, mas ele acrescentou: “Nunca é tão ruim quanto parece na primeira impressão que você tem”.

Adaptado de Paul Voosen para a Science.
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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 17 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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