(Créditos da imagem: Reprodução/Amazon).

Você já quis olhar para trás na história do seu sistema imunológico, igual quando você olha o seu histórico de navegação? Bem, mesmo se você nunca teve este desejo, não se preocupe — cientistas desenvolveram uma maneira de fazer isso acontecer, desde 2015.

Os pesquisadores desenvolveram um teste que pode determinar cada vírus que já o afetou, mesmo que você esteja se sentindo muito bem hoje — e tudo o que é necessário é de uma única gota de sangue. O processo é bastante complexo, mas conceitualmente é bastante fácil de entender.

Sempre que seu corpo está infectado com um vírus, seu sistema imunológico entra em ação, soltando uma equipe de células brancas do sangue chamadas linfócitos T e B. Algumas células T são capazes de detectar e matar vírus, mas outras servem como “auxiliares” para as células linfócitos B, que produzem anticorpos. Os anticorpos são as pequenas proteínas em forma de “Y” que marcam as células invasoras para que sejam destruídas.

Depois que seu corpo conquista o vírus e o limpa do seu sistema, algumas dessas células T e B especializadas permanecem com uma “memória” do vírus destruído, para que seu corpo possa identificá-lo mais facilmente, caso ele volte. A técnica, publicada na Science em 2015, basicamente procura essas essas memórias e as usa para determinar todos os vírus com os quais uma pessoa já foi infectada.

Enquanto você individualmente pode não se importar muito em saber todas as doenças que você já teve, esse tipo de informação é inestimável para os virologistas. Com estes dados, os pesquisadores de doenças infecciosas poderiam fazer coisas incríveis, como procurar padrões de doenças em várias populações, ajudar os cientistas a comparar respostas imunes em pessoas idosas e jovens, ou ver como um mesmo vírus afeta pessoas em diferentes partes do mundo. Se realizada em amostras de sangue antigas (que laboratórios costumam armazenar de estudos prévios), a técnica pode até ser usada para nos ajudar a saber como os vírus se espalharam.

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Os cientistas estão otimistas sobre o potencial impacto que a técnica terá. “Este será um tesouro para a epidemiologia”, disse o especialista em doenças infecciosas, Dr. William Schaffner, da Universidade Vanderbilt ao The New York Times. “Será como a introdução do microscópio eletrônico. Isso nos permitirá ter maior resolução a um nível micro”.

Vale a pena notar, no entanto, que o teste ainda está sendo desenvolvido. Ele ainda está em estágio experimental, e mesmo assim, ainda é um desenvolvimento muito emocionante. Com mais alguns ensaios e testes cuidadosos, a esperança é racionalizar o teste e torná-lo disponível para o público em geral. Em alguns anos, você pode ser capaz de solicitar o seu “histórico de vírus” em seu próximo exame.

Referências:

  1. XU, George J. et al. “Comprehensive serological profiling of human populations using a synthetic human virome; Science. Acesso em: 28 abr. 2017.
  2. GRADY, Denise. “Every virus a person has had can be seen in a drop of nlood, researchers find; New York Times. Acesso em: 28 abr. 2017.
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Mestrando em Estudos Ambientais pela UCES, Buenos Aires. Graduado em Engenharia Civil e pós-graduado em Gestão Pública e Controladoria Governamental. Com interesse por ciência, tecnologia, filosofia, desenvolvimento sustentável e diversas outras áreas do conhecimento humano.

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