Da esquerda para a direita: o diretor da Coppe/UFRJ, professor Edson Watanabe; os ex-ministros Aloízio Mercadante, Marco Antonio Raupp, Roberto Amaral e Clélio Campolina; o reitor da UFRJ, professor Roberto Leher; e o ex-ministro Celso Pansera. (Créditos da imagem: Divulgação/Coppe/UFRJ).

Na última segunda-feira (1), dez ex-ministros brasileiros da Ciência, Tecnologia e Inovação expuseram um manifesto demonstrando a preocupação com o estado atual da ciência brasileira.

Em 2018, uma parceria entre o grupo 3M e o Instituto Ipsos rendeu um estudo que demonstrava que o Brasil é o país mais otimista do mundo em relação à ciência. No Brasil, 83% dos entrevistados consideravam a ciência como de grande importância para a sociedade, frente à média global de 63% para esse mesmo questionamento. 94% dos entrevistados brasileiros se diziam esperançosos em relação à ciência.

Mesmo assim, é inegável o fato que a ciência no Brasil é historicamente deixada em segundo plano, enquanto em países mais maduros ela é valorizada como meio de desenvolvimento econômico e social da nação.

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É nesse contexto que os ministros publicaram o manifesto, para demonstrar “nossa profunda preocupação diante das ameaças no tocante à Educação, em geral, e à CT&I [Ciência, Tecnologia e Inovação] em particular”.

O manifesto traça uma linha cronológica, lembrando-nos dos esforços dos cientistas brasileiros para criar no país uma estrutura decente para a produção científica, e cita alguns dos principais resultados desse trabalho, tais como a nossa tecnologia de ponta na busca por petróleo em alto mar, para a agricultura, tecnologias de monitoramento da Amazônia, vacinas, etc.

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A desvalorização da ciência no Brasil se deve muito ao distanciamento da população com a ciência; uma pesquisa recente do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia (INCT-CPCT) mostrou que mesmo entre universitários, a maior parte dos jovens brasileiros não sabe citar sequer o nome de alguma instituição de pesquisa científica no Brasil ou de algum cientista brasileiro — apenas 5% dos mais de 2 mil brasileiros entre 15 e 24 anos entrevistados souberam citar um cientista e 12% uma instituição de pesquisa. Ademais, apesar de 67% dos jovens se dizerem interessados pela ciência, apenas 26% afirmam buscar informações sobre a ciência com frequência.

O atual governo brasileiro é alvo de críticas em diversos aspectos, sendo a ciência um dos principais pontos, com polêmicas medidas e cortes de bolsas de pós-graduação e de verbas de custeio de universidades federais, além de constantes ataques à academia por parte de integrantes do governo e simpatizantes. Os ex-ministros fazem uma crítica em especial para o problema:

“Para o funcionamento do Sistema Nacional de CTI são essenciais as bolsas de pós-graduação do CNPq e da Capes, assim como a Finep, a Embrapii e fundos de financiamento que compõem o FNDCT, que está sofrendo um grande contingenciamento que compromete ações essenciais na área“.

O texto também diz que “vivemos hoje a maior das provações da nossa história”, e critica autoridades do governo que “negam evidências científicas na definição de políticas públicas”.

“Desqualificar as universidades públicas que produzem mais de 90% da pesquisa brasileira e a privatização de empresas estratégicas são equívocos que podem custar caro à sociedade brasileira”, dizem, em relação aos problemas com as universidades.

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Eles também destacam que “Não podemos permitir a criação de condições que estimulem a evasão dos nossos melhores cérebros”.

O manifesto conclui dizendo:

“Eis aqui o nosso chamado para que a sociedade brasileira se comprometa e se mobilize na defesa da Ciência, do Conhecimento e da Tecnologia, patrimônios de uma Nação”.

Referências:

  1. 3M. “Estudo global de 3M Revela – a Ciência é subestimada”. Acesso em: 02 jul. 2019.
  2. Jornal USP. “Ciência brasileira vive “a maior provação de sua história”, alertam ex-ministros”. Acesso em: 02 jul. 2019.
  3. Jornal USP. “Jovens defendem a ciência, mas desconhecem produção científica do País”. Acesso em: 02 jul. 2019.

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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pelo jornalismo científico. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente faço o ensino médio em uma ETEC e escrevo para o Ciencianautas.

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