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A raça humana está à beira da extinção, e isso não é novidade, já que dependemos totalmente da natureza, e estamos a destruindo. A pandemia também nos mostrou os riscos de um vírus. Um vírus suficientemente mortal, juntamente à capacidade de transmissão, também poderia causar uma extinção em massa, além de diversas outras possibilidades na mesa.

Uma nova pesquisa, conduzida por Mauro Bologna, da Universidade de Tarapacá, Chile, e por Geraldo Aquino, do Instituto Alan Turing, na Inglaterra, publicada em maio de 2020 na Nature Scientific Reports, entretanto, diz que a raça humana pode ser extinta antes das florestas. Por um lado, isso é bom, já que indica que após o nosso sumiço o planeta poderá se recuperar, e a natureza irá voltar a ser equilibrada. Por outro lado, isso quer dizer que a espécie humana estaria extinta, e acho que não queremos isso. 

“De fato, antes do desenvolvimento das civilizações humanas, nosso planeta era coberto por 60 milhões de quilômetros quadrados de floresta. Como resultado do desmatamento, menos de 40 milhões de quilômetros quadrados atualmente permanecem”, dizem os pesquisadores no artigo. Isso sem contar as florestas que já foram quase totalmente dizimadas, como muitas florestas na Europa e a Mata Atlântica, que possui apenas 12,4% de sua área original.

Embora saibamos o resultado final, e haja o alerta por parte de diversos órgãos pelo mundo, além dos cientistas, o desmatamento em excesso não para. Diversos são os motivos, desde a construção de áreas industriais, até plantações e pastos voltados para a agropecuária, além dos grandes latifúndios de monocultura, que não aproveitam o solo, além de degradá-lo.

As florestas não são, de fato o pulmão do mundo – esse é o papel das algas e fitoplânctons. Entretanto, as florestas exercem um importante papel na filtragem de CO2 da atmosfera, regulagem climática, na umidificação de outras regiões. Como exemplo há os rios voadores da Amazônia, que distribuem água não só pelo Brasil, mas por diversos outros países da América Latina. Além de tudo, é nas florestas onde se encontra a maior parte da biodiversidade não-marinha do planeta.

Os pesquisadores são curto e diretos, já no início da conclusão do artigo: “Concluindo, nosso modelo mostra que um colapso catastrófico na população humana, devido ao consumo de recursos, é o cenário mais provável da evolução dinâmica com base nos parâmetros atuais”.

Eles dizem que, considerando o cenário mais otimista, a chance máxima da raça humana sobreviver a si mesma nas próximas décadas é de 10%. Ou seja, há uma chance de, no mínimo, 90% de que desapareçamos, em um futuro muito próximo, considerando a taxa atual de crescimento populacional, desmatamento e agressões gerais ao meio ambiente. Eles calculam um período de 2 a 4 décadas para que isso ocorra. 

Eles ainda dizem que, embora haja movimentos para o caminho do desenvolvimento sustentável, eles utilizaram parâmetros constantes, baseados nos valores atuais. Mesmo assim, segundo a dupla, as condições atuais e previsões de como lidaremos com a Terra nos próximos anos “tornam essa aproximação aceitável, pois é difícil imaginar, na ausência de esforços coletivos muito fortes, que grandes mudanças desses parâmetros ocorram em tal escala de tempo”.

Essa hipótese entra, ainda, na mesma ideia, já bastante disseminada entre os cientistas, e abordadas em uma pesquisa recente publicada no The Astrophysical Journal, conduzida por Tom Westby e pelo astrofísico Christopher J. Conselice. Eles propõem, em suma, que não somos visitados por seres alienígenas simplesmente porque a maior parte das civilizações inteligentes se autodestroem ao chegar em um determinado nível tecnológico – e estamos entrando para essa estatística.

Nem todas devem se destruir. Eles propuseram a existência de cerca de 36 civilizações inteligentes na Via Láctea, a nossa galáxia, das quais, a mais próxima da Terra deveria estar a aproximadamente 17 mil anos-luz de distância. Entretanto, a civilização humana é estúpida o bastante para entrar para a extensa e predominante lista de civilizações que se destroem por si mesmas. 

Referências: 

  1. AQUINO, Geraldo; BOLOGNA, Mauro. “Deforestation and world population sustainability: a quantitative analysis”; Nature Scientific Reports. Acesso em: 03 ago. 2020.
  2. WETSBY, Tom; CONSELICE, Christopher J. “The Astrobiological Copernican Weak and Strong Limits for Intelligent Life”; The Astrophysical Journal. Acesso em: 03 ago. 2020.