(Créditos da imagem: Pixabay).

Certa vez, um sábio chinês disse “pergunte a uma abelha quantas delas há em uma colméia e você terá uma resposta”; brincadeiras à parte, um estudo recente publicado na Science Advances mostra que as abelhas podem fazer contas de adição e subtração, e talvez até mesmo entender conceitos complexos, como o do zero. Pode parecer ridículo, mas a conclusão foi feita a partir de evidências científicas.

Para se ter noção do tamanho disso, a Europa só foi conhecer o conceito do zero no final da idade média, com a introdução dos algarismo arábicos no continente. Antes disso — acredite —, toda a matemática na região era feita sem o conceito do zero. Nem mesmo os gregos conheciam tal definição.

O experimento

As abelhas foram treinadas para ir, diversas vezes, em um labirinto em formato de Y. Na entrada, elas se deparavam com algumas formas geométricas de determinada cor: azul para somar 1 e amarelo para subtrair 1. Depois, cada uma das duas bifurcações continham uma resposta: uma correta e uma incorreta.

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Quando a abelha ia para a resposta correta, recebia água com açúcar como recompensa; quando dava a resposta incorreta, recebia uma solução de água e quinino, uma substância com gosto amargo. Para que as abelhas entendessem que deviam somar ou subtrair, foram 100 fases de treinamento.

Demostração das configurações do experimento. (Créditos da imagem: Scarllet Howard).

Após essa fase de aprendizado, as abelhas se depararam com novos testes, mas sem recompensa ou punição. 14 abelhas resolveram 4 problemas cada, individualmente.

O esperado, segundo a probabilidade era de uma taxa de erro e de acerto rondando os 50%. É aí que se conclui a capacidade das abelhas. Elas conseguiram uma taxa de acerto entre 63,6% e 72%.

Conclusões

Problemas de aritmética envolvem processos cognitivos com uma certa complexidade, com duas camadas de processamento. A primeira é a compreensão dos atributos numéricos; a segunda é a manipulação desses atributos em suas mentes.

Isso nos mostra que não é necessário a linguagem humana para a resolução de problemas complexos, como na aritmética. Por exemplo, o povo Mundukuru, nativo brasileiro, possui palavras apenas para números pequenos, mas são capazes de aproximar resultados de problemas aritméticos com números grandes.

O estudo possui diversas implicações dentro da neurobiologia e do desenvolvimento de inteligência artificial. Além disso, isso abre o leque de animais que podem ter essa capacidade de resolução de problemas e para novas áreas de pesquisas.

Com informações de Howard, Scarlett et al.

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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pela divulgação científica. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente curso Física na UFScar e escrevo para o Ciencianautas.