(Créditos da imagem: ESO/L. Calçada).

A teoria gravitacional de Newton funciona muito bem em modelos não muito rebuscados, como a Terra orbitando o Sol na escola, por exemplo. No entanto, quando necessita-se de maior precisão, fica mais difícil. Por muito tempo, pensou-se haver um planeta chamado entre Mercúrio e o Sol, que foi até mesmo batizado, o planeta Vulcano. Pensava-se isso porque a órbita de Mercúrio é esquisita; não conseguimos prevê-la com a Gravitação Universal. Somente com a Relatividade Geral isso foi possível. O que acontecia é que a gravidade do Sol causava uma interferência, criando uma sutil precessão, mas que podia ser observada facilmente.

Esse novo caso é algo um pouco parecido. Quando falamos em um buraco negro, são situações muito extremas, pela enorme gravidade do corpo colapsado. Esses efeitos, que no caso do Sol, causam uma pequena precessão no planetas, em uma estrela orbitando um buraco negro, é assustador. A Gravitação Universal, de Newton, prevê uma órbita elíptica para todos os corpos; e isso se confirma, na maioria dos casos. A órbita da estrela S2, em torno do buraco negro Sagittarius A* (lê-se Sagittarius A-estrela), no entanto, é em formato de uma roseta, graças a gigantescas perturbações na gravidade, efeito chamado precessão de Schwarzchild.

Para o estudo, publicado na última quinta (16) foram utilizados diversos equipamentos do ESO (sigla em inglês para (Observatório Europeu do Sul), localizado no Chile, com dados coletados nos últimos 27 anos. A precisão entre as observações e a Relatividade Geral foram tão grandes, que acredita-se que, com esses dados, é possível até mesmo estimar a quantidade máxima de matéria escura existente no entorno.

O Sagittarius A* localiza-se no centro da Via Láctea, a cerca de 26 mil anos-luz, o que equivale a mais ou menos 25.000.000.000.000.000.000.000 km (e isso nem é tão longe, para os padrões do Universo). A órbita da estrela, em seu momento mais próximo do buraco negro, atinge 20 bilhões de km, cerca de 120 vezes a distância entre a terra e o Sol. A velocidade máxima da estrela são meros 3% da velocidade da luz: cerca cerca de 30 milhões de km/h, e cada órbita dura cerca de 16 anos terrestres.

Referências:

  1. ABUTER, R. et al. “Detection of the Schwarzschild precession in the orbit of the star S2 near the Galactic centre massive black hole”. Acesso em: 17 abr. 2020.
  2. ESO. “Telescópio do ESO observa estrela “dançando” em torno de buraco negro supermassivo, provando uma vez mais que Einstein tinha razão”. Acesso em: 17 abr. 2020.