(Créditos da imagem: Pixabay).

Provavelmente você conhece o filme A Teoria de Tudo, que conta a história do físico Stephen Hawking. O filme leva o nome de um termo: Teoria de Tudo, que também é chamado de Teoria da Grande Unificação. Ele se refere, a grosso modo, à junção da Relatividade com a Mecânica Quântica. Também há a Gravidade Quântica, que tem o mesmo intuito.

A Teoria da Relatividade explica o macrocosmo, ou seja, “tudo que é grande” no Universo. A mecânica quântica explica o microcosmo, ou seja, o mundo das partículas e de coisas ainda menores, em escalas tão pequenas que, sem a matemática, chegam a ser inimagináveis.

A Gravidade Quântica ou a Teoria de Tudo explicaria o macro e o micro em um único modelo. Um problema que há, no entanto, é a incompatibilidade desses dois modelos, apesar de cada um funcionar perfeitamente isoladamente. Alguns cientistas cientistas buscam a todo vapor essa “Teoria de Tudo”.

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Um estudo recente feito por cientistas portugueses pode ter dado um grande passo nessa busca pela Grande Unificação.

No modelo apresentado pelos cientistas, o tecido espaço-tempo seria o resultado de “organização” do meio subquântico. As ondas subquânticas, resultantes da organização desse meio, incorporam as propriedades do espaço-tempo. O meio subquântico não está em nossa realidade, pois a realidade, junto ao espaço-tempo, emerge dele.

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Para ilustrar, o meio subquântico seria uma “espuma primordial”, além da realidade. Imagine a fabricação de um queijo. O leite e o coalho estão misturados, todas as substâncias contidas neles estão num estado caótico. Quando o leite começa a coagular, algumas substâncias estão se organizando e formando esses “pedaços de queijo”; essas seriam as ondas subquânticas. Essas ondas incorporam algumas propriedades, que são dadas de acordo com o seu comprimento e frequência, gerando o que conhecemos como espaço-tempo e a realidade.

Caso esse modelo seja confirmado, não será necessário mudar as fórmulas utilizadas pela Relatividade, pois a física ainda funciona da mesma forma. O que haveria é uma ressignificação do conceito de espaço-tempo.

De quebra, esse modelo pode explicar o Entrelaçamento Quântico e o Tunelamento Quântico, caso seja válido.

O Entrelaçamento Quântico é tão assustador que Einstein o chamou de “Efeito fantasmagórico à distância”. Isso ocorreu porque esse efeito parece transmitir informação numa velocidade maior do que a velocidade da luz. O Entrelaçamento Quântico é um assunto complicado e o Ciencianautas o abordará em breve em outra matéria.

O Tunelamento Quântico é um fenômeno onde partículas podem transpor barreiras mesmo que haja uma limitação energética. Imagine o Flash; ele consegue atravessar paredes ao vibrar, coisa que um humano normal não pode. Se o Tunelamento Quântico pudesse ocorrer no macrocosmo, algum humano normal conseguiria inexplicavelmente atravessar a parede em algum momento, mesmo não conseguindo energia para vibrar como o flash. A diferença é que no mundo quântico essa barreira não é física, como uma parede.

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Para que o modelo funcione, no entanto, é necessário utilizar alguns conceitos da Escola Realista da Mecânica Quântica (Escola defendida por Einstein), que se opõe à Escola Ortodoxa, ou Interpretação de Copenhague, a mais comum na comunidade científica. O que ocorre é, que enquanto a Escola Realista assume que a Mecânica Quântica está incompleta e utiliza conceitos denominados variáveis ocultas, a Escola Ortodoxa utiliza outros artifícios para explicar alguns “comportamentos assustadores” observados no mundo quântico. Esses “comportamentos assustadores” serão explorados na já citada futura matéria do Ciencianautas sobre Entrelaçamento Quântico.

Referência:

  1. CASTRO, Paulo et al. Spacetime as an Emergent Phenomenon: A Possible Way to Explain Entanglement and the Tunnel Effect. Acesso em: 07 mar 2019.
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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pelo jornalismo científico. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente faço o ensino médio em uma ETEC e escrevo para o Ciencianautas.

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