Foto do lado oculto da Lua registrada pelo Chang'e 4. (Créditos da imagem: Administração Espacial Nacional da China).

A espaçonave Chang’e-4, da China, aterrissou com sucesso no outro lado da Lua, realizando uma primeira experiência mundial em exploração lunar. A mídia estatal da China confirmou que o pouso ocorreu ontem às 10h26, no horário local; no final do dia, a Administração Espacial Nacional da China divulgou as primeiras imagens da superfície do lado oculto da Lua, capturadas pelo Chang’e-4 depois de aterrissar.

“É um marco para o projeto de exploração lunar chinês”, disse Yang Yuguang, da Corporação de Ciência e Indústria Aeroespacial da China, em Pequim, à China Global Television Network, um canal de TV em inglês operado pelo Estado.

O Chang’e-4 foi lançado em 8 de dezembro de 2018 no Centro de Lançamento de Satélites de Xichang, na província de Sichuan. O local do pouso foi na cratera de Von Kármán, na Bacia do Polo Sul-Aitken. A bacia provavelmente foi formada por um gigantesco impacto de asteroide que pode ter trazido o material do manto superior da Lua para a superfície; estudar amostras colhidas ali pode oferecer aos cientistas a chance de aprender mais sobre a composição do interior do satélite natural.

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O lado oculto da Lua possui uma crosta muito mais espessa e mais velha. Ademais, esse lado também é marcado por crateras mais profundas, onde grandes planícies escuras, formadas por antigos fluxos de lava, apagaram grande parte das crateras. As observações do Chang’e-4 podem fornecer pistas sobre os processos por trás das diferenças.

O lander transporta câmeras para observar o terreno e um espectrômetro de baixa frequência para estudar explosões solares. O rover possui uma câmera panorâmica, um espectrômetro para identificação de materiais de superfície e um radar de penetração no solo para sondar estruturas subsuperficiais.

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A Suécia, a Alemanha, a Holanda e a Arábia Saudita contribuíram com cargas que medirão a radiação e usarão a radioastronomia de baixa frequência para escutar sinais fracos que pairam no Cosmos desde a formação das primeiras estrelas do Universo, entre outras coisas. O lander também carrega uma minúscula biosfera desenvolvida por universidades chinesas que estudará a interação de baixa gravidade de várias plantas e bichos-da-seda.

Adaptado de Dennis Normile para a Science.
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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 18 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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