"Piolho" pré-histórico da espécie Mesophthirus angeli encontrado em âmbar. (Créditos da imagem: Taiping Gao/Capital Normal University).

Um grupo de cientistas chineses encontrou “piolhos” pré-históricos de 100 milhões de anos preservados em âmbar. O achado fornece aos paleontologistas o primeiro vislumbre de parasitas antigos, semelhantes aos piolhos modernos.

De acordo com os pesquisadores, a preservação em âmbar (um tipo de resina fossilizada) é extremamente boa, quase como se os insetos ainda estivessem vivos. Um artigo sobre a pesquisa foi publicado no periódico Nature Communications.

O parasita descoberto, de nome científico Mesophthirus engeli, apresenta um corpo minúsculo sem asas, uma cabeça com grandes peças bucais feitas para mastigar, antenas curtas e robustas. Os paleontologistas também informaram que o inseto não se alimentava de carne, mas de penas.

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Reconstituição de como era o “piolho” que infestava os dinossauros. (Créditos da iamgem: Chen Wang/Capital Medical University).

A descoberta só foi possível graças à análise de uma estrutura em âmbar contendo cerca de dez Mesophthirus engeli e duas penas de dinossauros, com uma delas danificada como se tivesse sido comida por algum inseto.

“Uma das duas penas é consistente com as encontradas ao lado de um fragmento de cauda de dinossauro birmanês, enquanto a outra parece mais semelhante àquelas encontradas ao lado de pássaros com dentes primitivos”, explicou o paleontólogo Ryan McKellar, que não esteve envolvido no estudo, ao Smithsonian.

Encontrar insetos pré-históricos não é uma tarefa fácil porque a preservação desses organismos é muito difícil. Ao longo de cinco anos de pesquisa, apenas duas amostras de âmbar continham insetos semelhantes aos piolhos. Para o paleontologista Chungkun Shih, coautor da descoberta, “é quase como um jogo de loteria, onde você ganha de vez em quando”. [Revista Galileu].

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Referência:

  1. GAO, Taiping et al. “New insects feeding on dinosaur feathers in mid-Cretaceous amber”; Nature Communications, 2019. Acesso em: 15 dez. 2019.