(Créditos da imagem: Reprodução).

Em fevereiro de 2018 a SpaceX lançou para o espaço o veículo Roadster, da Tesla, e o Starman a bordo do foguete Falcon Heavy. Esse grande feito foi uma enorme manobra publicitária para ambas as empresas de Elon Musk. A polêmica rendeu muita discussão no meio científico em torno do lixo espacial e do uso do espaço, já que, fora a publicidade, o carro foi enviado sem utilidade alguma.

Agora a startup russa StartRocket quer abrir espaço para que empresas possam fazer publicidade na órbita da Terra.

O The Orbital Display, como chamou, se trata de uma espécie de outdoor. De acordo com os planos, CubeSats (um tipo de nanosatélite), devem formar espécies de letreiros, que refletirão a luz solar, com pouco mais da metade da magnitude da Lua cheia, -8 e -13, respectivamente.

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Segundo a empresa, o display pode ser utilizado como forma de entretenimento, para passar mensagens publicitárias e para mensagens emergenciais do governo, em casos de catástrofes, por exemplo.

Você pode ver uma demonstração da empresa no vídeo abaixo.

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A startup quer escolher um local de produção até outubro de 2019. Em 2021, ela quer estar colocando o outdoor espacial em prática.

Como disse Patrick Seitzer, professor de astronomia da Universidade de Michigan para a revista Astronomy: “Lançar projetos de arte como esse sem valor comercial, científico ou de segurança nacional parece imprudente”. Segundo o professor, dos mais de 20 mil objetos na órbita terrestre catalogados pela força aérea dos Estados Unidos, menos de 10% são satélites ativos. O restante é lixo espacial.

Outra crítica que está sendo feita pela comunidade acadêmica à empresa é que o brilho do outdoor pode atrapalhar observações astronômicas. Rebatendo o questionamento, Vlad Sitnikov, líder do projeto, disse para a revista Futurism que são apenas alguns minutos de visibilidades por vez, e que “os cientistas podem usar esse tempo para urinar ou tomar um café”.

A tecnologia para tal é existente. A empresa, no entanto, ainda deve enfrentar diversas questões jurídicas, já que o display orbital pode interferir na aviação, gerar lixo espacial, gerar poluição visual e muitos outros problemas.

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Sitnikov disse ao Futurism que “somos governados por marcas e eventos”, e que “a economia é o sistema sanguíneo da sociedade. Entretenimento e publicidade estão em seu coração”.

Referências:

      1. FARAH, Troy. “This Russian startup wants to put billboards in space. Astronomers aren’t impressed”; Astronomy. Acesso em: 17 jan. 2019.
      2. CHRISTIAN, John. “This Startup Wants to Launch Giant Glowing Ads Into the Night Sky”; Futurism. Acesso em: 17 jan. 2019.
      3. StartRocket. “The Orbital Display by StartRocket”. Acesso em: 17 jan. 2019.
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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pelo jornalismo científico. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente faço o ensino médio em uma ETEC e escrevo para o Ciencianautas.

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