Floresta Nacional de Itaituba I. (Créditos da imagem: Reprodução/ICMBio).

Não é novidade que o governo Bolsonaro seja alvo de críticas no âmbito ecológico, pelo meio acadêmico, governos e organizações nacionais e internacionais. Desde queimadas em níveis recordes na Amazônia, negação das altas taxas de desmatamento, e os ataques ao IBAMA e ao Inpe, o governo demonstra cada vez mais desdém com a natureza, o que amplifica a antiga “tradição” de desprezo com o meio ambiente no Brasil, além das gafes em meio às polêmicas, como quando o presidente ofendeu a primeira-dama francesa, ou quando acusou DiCaprio de financiar queimadas na amazônia, ambos casos em meio a episódios sobre a política ambiental brasileira.

Os cientistas não cansam de gritar: em 2017, houve a Marcha pela Ciência, na Avenida Paulista; em 2018, diversos cientistas redigiram uma carta aberta aos candidatos à Presidência da República; em 2019, dez ex-ministros da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil assinaram um manifesto alertando os riscos que corre a ciência no Brasil, e nunca são ouvidos. 

Agora, na última semana, 1230 pesquisadores de todo o Brasil assinaram um manifesto que clama em nome da natureza. O artigo, publicado na revista Nature Ecology and Evolution, critica as medidas tomadas pelo Governo Federal recentemente, principalmente considerando a importância dos ecossistemas brasileiros, como a Amazônia, essencial nas dinâmicas atmosféricas globais, dados os “rios voadores” exalados pela floresta, e que se distribuem por todo o continente sul americano. Não se pauta apenas na crítica, portanto; os cientistas pensam no futuro, e apontam, de forma generalista, um caminho a ser tomado, pedindo à empresas, pessoas, organizações e governos pelo mundo um pressionamento no governo brasileiro.

Os autores principais do manifesto são Bernardo Monteiro Flores, pós-doutorando em Biologia Vegetal pela Unicamp e Carolina Levis, pesquisadora da Universidade Federal de Santa Catarina. Conforme Bernardo explica ao portal de notícias da Unicamp, a ideia do artigo veio quando, em 2019, ele se deparou com cientistas europeus pedindo aos governos estrangeiros que não comercializassem com empresas brasileiras em desconformidade com as legislações ambientais.

Você pode ler o manifesto na íntegra clicando aqui.

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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pela divulgação científica. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente curso Física na UFScar e escrevo para o Ciencianautas.