Fragmento do dente de um homem que viveu 14 mil anos atrás. (Créditos da imagem: G. Pavlenok).

Um homem que viveu na Sibéria há cerca de 14 mil anos é a primeira pessoa conhecida no mundo a ter a mistura específica de genes vista em pessoas com ascendência nativa americana, revelou a análise do DNA de um dente fossilizado.

Isso sugere que a ligação entre os antigos povos siberianos e americanos nativos é muito mais profunda e mais forte do que se pensava anteriormente, disse He Yu, do Instituto Max Planck para a Ciência da História Humana, em Jena, na Alemanha.

Yu e seus colegas dataram o dente fossilizado, encontrado originalmente perto do Lago Baikal, no sul da Sibéria. Eles então extraíram e sequenciaram o DNA e o compararam com sequências de povos nativos americanos antigos e modernos.

A análise revelou o homem como o mais antigo já descoberto com a mistura específica de ancestrais do norte da Eurásia e do nordeste da Ásia, comumente presentes no povo nativo americano. O primeiro indivíduo anteriormente conhecido no mundo, com ascendência semelhante, viveu há cerca de 11.500 anos.

Traços deixados no DNA do homem também indicam que as pessoas com essa ancestralidade, que deram origem ao povo nativo americano, estavam muito mais amplamente distribuídas do que se pensava.

“Não é uma população que se mudou para a América e depois desapareceu no continente euro-asiático”, disse Yu. Ainda havia um grande pool genético que atravessava a antiga Sibéria e continuava se misturando com as populações do nordeste da Ásia.

Esses resultados aumentam as crescentes evidências de que as Américas eram habitadas por pessoas do nordeste da Ásia, diz Anders Bergstrom, do Instituto Francis Crick, em Londres. Pensa-se que os ancestrais dos nativos americanos modernos migraram para a América do Norte da Sibéria há pelo menos 15 mil anos através da ponte terrestre de Bering — um pedaço de terra seca que naquela época ligava a Rússia moderna e o Alasca.

“O que este e outros estudos antigos de DNA estão mostrando é que, para entender as origens das populações nativas americanas, é preciso estudar a antiga Sibéria”, disse Bergstrom. “O lago Baikal parece ter sido uma zona de contato genético por um longo tempo, reunindo pessoas do oeste e do leste, tanto no início do Paleolítico quanto mais recentemente durante a Idade do Bronze”, ressaltou ele.

O estudo foi publicado na revista Cell. [New Scientist].