(Créditos da imagem: Shutterstock).

De acordo com um novo artigo publicado na revista National Science Review, o DNA pode durar por dezenas de milhões de anos. Essa descoberta certamente desencadeará um debate na comunidade científica, pois contradiz todas as evidências anteriores sobre a longevidade do material genético. Se confirmada, porém, pode abrir novas possibilidades para o estudo da biologia de organismos pré-históricos — mas certamente não levará à ressurreição de dinossauros.

Pesquisas anteriores indicaram que o DNA permanecia estável por cerca de um milhão de anos, levando à suposição de que o material genético tem um prazo de validade além do qual é degradado. No entanto, este último estudo vai totalmente contra essa teoria, anunciando a descoberta de DNA em um dinossauro de 75 milhões de anos chamado hypacrossauro (Hypacrosaurus).

Alojado no Museu das Montanhas Rochosas, o espécime chamou a atenção dos pesquisadores após um exame que revelou a presença de algumas células notavelmente preservadas dentro de uma seção de tecido cartilaginoso fossilizado.

Após o isolamento das células, os autores do estudo aplicaram duas manchas de DNA, que se ligam a fragmentos de DNA, a fim de mostrar todas as áreas em que o material genético está presente. Ambas as manchas interagiram com o tecido do hypacrossauro em um padrão consistente com as células modernas, indicando que parte do DNA do dinossauro foi realmente preservada na amostra.

“Eu não podia acreditar, meu coração quase parou de bater”, disse a autora do estudo, Alida Bailleul, em comunicado. “Esses novos resultados aumentam as evidências de que as células e algumas de suas biomoléculas podem persistir por muito tempo. Eles [os resultados] sugerem que o DNA pode durar por dezenas de milhões de anos.”

Células de cartilagem do crânio de filhotes de hypacrossauro. À esquerda, são vistas duas células no final da divisão celular, com material consistente com núcleos condensados. No centro, uma imagem de maior ampliação de outra célula mostra cromossomos. À direita, há uma célula isolada de cartilagem de dinossauro que reage com a mancha de DNA iodeto de propídio (ponto vermelho, dentro da célula). Essa mancha sugere que ainda há DNA endógeno de dinossauro nesta célula de cartilagem de 75 milhões de anos. (Créditos da imagem: Alida Bailleul and Wenxia Zheng/Science China Press).

Embora essa descoberta indique com certeza a possibilidade de o DNA sobreviver por períodos extremamente longos, os autores do estudo também explicam que é provável que isso ocorra apenas sob certas condições. Por exemplo, o fato de todos os ossos dessa amostra terem se desconectado sugere que esse organismo não foi enterrado por algum tempo após a morte, o que, segundo os pesquisadores, provavelmente ajudou na preservação de seu DNA.

Além disso, eles relatam que esse material genético antigo provavelmente só é encontrado em células da cartilagem bem preservadas, mas não nos ossos. Isso ocorre porque a cartilagem é menos porosa que o osso e, portanto, deixa entrar menos água e micróbios que podem causar biodegradação.

Apesar disso, os pesquisadores que investigam outras amostras de cartilagem de dinossauros preservados não conseguiram detectar nenhum DNA, e acredita-se que, mesmo que alguns pudessem sobreviver, provavelmente não estariam intactos.

Esta descoberta reabre a discussão sobre por quanto tempo o material genético pode durar, e os autores do estudo esperam que seu trabalho inspire pesquisadores de museus de todo o mundo a procurar espécimes com tecidos de cartilagem preservados em busca de DNA mais antigo. [IFLS].