Os restos do Titanic nas profundezas do Atlântico. (Créditos da imagem: NOAA).

Você provavelmente conhece a história do RMS Titanic, um navio de passageiros que naufragou e resultou em várias mortes. E você certamente conhece essa fatalidade transatlântica por causa do filme Titanic, que retrata o náufrago e o romance proibido de Jack e Rose.

Um século após essa infeliz fatalidade, o RMS Titanic encontra-se reduzido a destroços e cascos enferrujados encontrados ao fundo do oceano Atlântico.

Em setembro de 1985, uma equipe de oceanógrafos comandada por Robert Ballard e Jean-Louis Michel conseguiu encontrar os destroços do RMS Titanic. Quando descoberto, o navio encontrava-se ainda preservado. Depois de muitos anos, percebeu-se que o casco estava enferrujando devido a bactérias.

Mas como bactérias podem “devorar” e fazer o Titanic “sumir”?

Cientistas da Universidade de Dalhousie, no Canadá, por volta de 1991, coletaram amostras dos destroços do Titanic para estudo. A deterioração não é apenas por causa das bactérias, mas elas são as principais causadoras. As bactérias em questão são as Halomonas Titanicae, nomeadas em homenagem ao RMS Titanic.

A Halomonas Titanicae pertence a uma espécie da família Halomonadaceae, que foi descoberta em 2010 pelos cientistas das universidades de Dalhousie e Sevilha, quando estudavam as amostras coletadas nos destroços do Titanic.

A nova descoberta bacteriana é vista como uma ameaça a estruturas metálicas, pois ela aguenta fortes pressões e salinidade. A Halomonas Titanicae é uma bactéria capaz de metabolizar óxido de ferro e pode se aderir a superfícies de aço.

Ainda segundo os cientistas, a bactéria contribui gradativamente para a deterioração do Titanic, ocasionando o desaparecimento do navio em breve. Entretanto, essas bactérias não são apenas vistas como um problema, mas também como uma “solução” para naufrágios, pois a ação bacteriana pode ajudar na biodegradação de materiais que estão no fundo dos oceanos.

Apesar de algumas bactérias serem vilãs, outras têm pontos positivos para a saúde humana. A insulina, que é usada em pessoas com diabetes, é produzida a partir de bactérias através da introdução do gene humano para o hormônio em uma cepa de bactérias Escherichia coli. Já as bactérias lactobacilos é comumente utilizada para fermentar o leite. As bactérias do gênero Bacillus são exploradas para o controle biológico de doenças de plantas. E novos estudos mostram que a Ideonella sakaiensis é uma bactéria gram-negativa do gênero Ideonella que é capaz de “comer” plástico, com potencial para ser usada em biorremediação.