(Créditos da imagem: Shutterstock).

Os meteoritos são fascinantes por uma variedade de razões, mas uma que tem sido particularmente emocionante é sua capacidade de nos dar novas pistas sobre como era o Sistema Solar primordial. Dentro deles, os cientistas podem descobrir janelas inesperadas para o passado.

Em um novo estudo publicado na Science Advances, os pesquisadores relataram a descoberta de uma estrutura peculiar dentro do meteorito Acfer 094, que caiu no deserto da Argélia e foi descoberto em 1990. A análise detalhada da estrutura interna do objeto sugere que existem poros minúsculos através da rocha, cada uma com aproximadamente 11 micrômetros de diâmetro. Para fins de comparação, o cabelo humano pode ser facilmente 10 vezes mais espesso.

A equipe internacional de pesquisadores possui uma teoria muito simples para a formação desse material, que eles chamaram de litologia ultraporosa (UPL, na sigla em inglês). O que vemos na imagem abaixo é o espaço deixado pelo gelo primordial, que estava presente durante a formação da rocha.

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A UPL no meteorito. (Créditos da imagem: Matsumoto et al./SciAdv).

O gelo é muito importante na formação de objetos no espaço. De pequenos asteroides a grandes planetas, tudo começa como pequenos grãos de poeira. A uma certa distância de uma estrela, as moléculas de água começarão a congelar em cristais de gelo. Esta é a linha de neve. Além desse limiar, o gelo se formará nos grãos de poeira, uma característica que lhes permite crescer rapidamente à medida que se aderem mais facilmente.

A principal pista de que o gelo é responsável pela UPL é a estrutura do próprio material. Sem um material sólido que eventualmente desaparecesse, a estrutura porosa entraria em colapso e não poderíamos vê-la.

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A estrutura também deu à equipe pistas sobre como poderia ter sido o objeto pai do meteorito. Eles acreditam que o planetesimal tinha um núcleo rico em gelo e um manto pobre em gelo, o que significa que ele teria se formado no Sistema Solar externo. À medida que se aproximava do Sol, seu gelo interno começaria a sublimar e a água alterou a rocha, deixando marcas distintas. Eventualmente, esse planetesimal foi quebrado e pelo menos um fragmento, o Acfer 094, caiu na Terra. [IFLS].

Referência:

  1. MATSUMOTO, Megumi et al. “Discovery of fossil asteroidal ice in primitive meteorite Acfer 094”; Science Advances, 2019. Acesso em: 28 nov. 2019.
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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 18 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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