Dentes de múmia do Departamento de Arqueologia da University of Southern Florida (EUA), cedidos pelo arqueólogo Roberto Tykot. (Créditos da imagem: Divulgação/Forp).

Os dentes são formados por várias estruturas que podem ser usadas como biomarcadores. O maior exemplo é o esmalte. Ele começa a ser formado a partir da terceira semana de gestação e tem a facilidade de acumular substâncias durante o processo de mineralização. Outra característica importante é a resistência desse tecido: pode ser até 5 vezes mais duro que os ossos e tem a capacidade de se manter íntegro por milhares de anos.

Estas características fizeram com que pesquisadores do Brasil e do Reino Unido desenvolvessem uma técnica para identificar o sexo de múmias. É importante lembrar que, depois um certo período, o DNA dos organismos se desfragmenta e torna difícil identificar o sexo de cadáveres e múmias milenares. Para a identificação do sexo de um organismo, sem análise de DNA, os pesquisadores descobriram que o esmalte acumula um peptídeo que só é sintetizado pelo sexo masculino (através do cromossomo Y). A partir de então, analisaram o dente de uma múmia neolítica com mais de 5.500 anos, identificando então seu sexo: masculino.

A técnica poderá contribuir não só para a área da arqueologia e antropologia, como também estudos e investigações forenses poderão receber grandes benefícios por este feito. Muitas vezes identificar o sexo de um corpo se torna difícil por conta do tempo, condições do corpo e quando são carbonizados, principalmente de crianças, por não terem dimorfismo sexual na estrutura óssea.

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Muitas pesquisas na área de neurociências também utilizam o esmalte, mas como biomarcador de metais neurotóxicos. A quantidade de certos metais no esmalte pode estar relacionada com o desenvolvimento de alguns transtornos comportamentais e doenças neurodegenerativas. Isso porque certos metais como Chumbo, Cádmio, Mercúrio, Zinco e Manganês, possuem afinidade em se acumularem em regiões específicas do encéfalo. Este acúmulo interfere em processos fundamentais do sistema nervoso.

Excelente biomarcador, o esmalte dos dentes já é um grande aliado à diversas linhas de pesquisa. Promissor para que, cada vez mais, seja possível saber da história dos organismos e ajudar a identificação de substâncias que podem ser neurotóxicas.

Utilizar um único biomarcador confiável e conhecer sobre o passado e ajudar a evitar problemas futuros nos parece fantástico, não?

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Referências:

  1. STEWART, Nicolas A. et al. “Sex Determination Of Human Remains From Peptides in Tooth Enamel”; Proceedings of the National Academy of Sciences. 2017.
  2. COSTA DE ALMEIDA, Glauce R. et al. ”Analysis of enamel microbiopsies in shed primary teeth by Scanning Electron Microscopy (SEM) and Polarizing Microscopy (PM)”; Science of the Total Environment. 2009.
  3. COSTA, Lucio G. “Overview Of Neutoxicology”; Current Protocols in Toxicology. 2017.