(Créditos da imagem: Reprodução).

O Homo sapiens possui dentro de seu crânio um órgão supereficiente: o encéfalo, união do cérebro, cerebelo e tronco encefálico. A análise evolutiva deste incrível órgão é essencial para o conhecimento das mudanças que ocorreram ao longo dos anos.

Focando nos primatas, a percepção inicial quanto ao desenvolvimento cerebral está no tamanho da caixa craniana de cada espécie. O cérebro humano é quatro vezes maior que de um primata típico e nove vezes maior que a média de outros mamíferos. Em centímetros cúbicos (cm3 ou cc) o chipanzé possui em média 360, orangotango 380 e o gorila 410. Já nós, Homo sapiens, temos em média 1.400 cm3.

Na evolução do gênero Homo, não deixando de lado nossa querida Lucy, Australopithecus, o primeiro registro fóssil de um hominídeo com comportamento bípede que viveu entre 4 e 2 milhões de anos atrás, seu cérebro apresentava uma média de 400 cm3. Uma característica importante é que a dieta dos Australopithecus era exclusivamente herbívora e sua massa corporal chegava no máximo a 80 quilogramas.

Após dois milhões de anos, o Homo habilis já apresentava até 800 cm3 de cérebro, ou seja, duas vezes o volume dos Australopithecus. Porém houve uma grande mudança na estrutura corporal entre as duas espécies: a massa corporal dos Homo habilis caiu para no máximo 55 quilogramas. Será que a massa corporal foi substituída pelo aumento da massa cerebral? Pesquisas comprovam que sim: o raciocínio fez com que deixassem de usar tanto o corpo, como para a caça, e passassem a usar estratégias para poupar energia.

O Homo erectus, que viveu até 300 mil anos atrás apresentava massa cerebral que variava entre 750 e 1.200 cm3. Sua massa corporal chegava a 70 quilogramas e a altura de 1,70 centímetro. Em comparação ao Homo habilis, a massa corporal e cerebral era maior. Ambas espécies eram onívoras, ou seja, alimentavam-se de animais e vegetais. Que mudanças comportamentais podem ter influenciado nas mudanças entre o Homo habilis e o erectus? Uma possibilidade é a da expansão territorial. O Homo habilis ocupava somente o território Africano, enquanto o Homo erectus passou a dominar, além da África, a Ásia.

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O Homem de Neandertal (Homo neanderthalensis), que viveu entre 300 e 30 mil anos atrás possuía uma massa cerebral de até 1.350 cm3 (apesar de alguns artigos citarem até 1.600) e corporal de até 80 quilogramas. Habitaram a região da Europa e Oriente Médio.

(Créditos da imagem: Ciencianautas).

Nós, Homo sapiens sapiens, chegamos a ter uma massa cerebral de 1.750 cm3, porém atuais pesquisas comprovam que nos últimos 20 mil anos nosso cérebro começou um processo de diminuição. Segundo o grande pesquisador John Hawks, se nosso cérebro se manter diminuindo, em menos de 20 mil anos voltaremos a ter o volume cerebral de um Homo erectus.

Muitas pesquisas são feitas para entender os motivos pelos quais o cérebro está a diminuir. Algumas dizem que estamos regredindo no quesito inteligência: estamos cada vez mais automáticos. A nutrição mudou com a revolução agrícola. Estamos em um processo no qual nós estamos nos domando. Outras dizem que apesar de diminuir, nosso cérebro está mais ágil, nossas conexões estão mais eficientes.

Apesar de hoje vivermos em um mundo tecnológico e cada vez mais desenvolvido, a evolução não tem um rumo. Muitas respostas ainda são necessárias para desvendar um órgão tão incrível e complexo. Seria possível prever nosso cérebro conhecendo nossos ancestrais? Ou será que todo esse desenvolvimento fará com que voltemos a ter o cérebro de nossos ancestrais?

Referências:

  1. McAuliffe, K. If modern humans are so smart, why are our brains shrinking?”; Discover, 2010.
  2. Barcellos, J. C. H. Salvação da humanidade”; Genismo, 2000.
  3. Barcellos, J. C. H. O cérebro humano está diminuindo”; Forum social STOA USP, 2013.
  4. Huntley, J. W.; Xiao, S-H.; Kowalewski, M. 1,3 billion years of acritarch history: na empirical morphospace approach”; Precambrian Rev, 2018.
  5. Willians, R. Neanderthals’ Genetic Legacy – Ancient DNA in the genomes of modern humans influences a range of physiological traits”; The Scientist, 2016.
  6. Johanson, D. Origins of modern humans: multiregional or out of Africa?”; Action Bioscience, 2017.
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Renê Seabra Oliezer
Biólogo, mestrando em Ciências pelo Departamento de Psicobiologia da FFCLRP/USP. Apaixonado pelos poderes do sistema nervoso. Membro associado ao INeC e SBNEC.

3 comentários

  1. Assunto serio para os pais e educadores transcendentais. As academias de modelacao fisica tomam o tempo do desenvolvimento cerebral. A substituicao dos livros e textos longos em profundidade pelas imagens com frases curtas devem atrasar o desenvolvimento cerebral. Games e tv sao para robots. A educacao e vigilancia dos filhos sao importantes para manter e elevar o que geracoes anteriores conquistaram.

  2. Tem errinho no texto neste trecho: “seu cérebro pesava em média 400 cm3”
    Não seria melhor “seu cérebro media” ou “seu cérebro apresentava”?

  3. Apenas uma sugestão, sou professor de biologia da educação básica e curto esta pagina, no inicio do primeiro paragrafo esta o seguinte texto: “O Homo sapiens possui dentro de seu crânio um órgão supereficiente: o encéfalo, união do cérebro, cerebelo e tronco encefálico.” quando se diz que dentro do cranio existe um órgão o encéfalo, mesmo que você tenha evidenciado a união dos demais órgãos do SNC. é possível que um estudante de nível fundamental ou médio entenda que o encéfalo é um único órgão. Minha sugestão é que no texto explique de maneira mais clara que o encéfalo é um conjunto de órgãos. Espero ter contribuído.

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