Arqueólogos descobriram no Vale do Lapedo, em Portugal, ossos de uma criança de quatro anos que pode ser híbrido de neandertal com Homo sapiens. Inclusive, este é o primeiro esqueleto paleolítico completo já escavado na Península Ibérica, mas as análises nos ossos revelaram algo surpreendente.

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A criança tinha o antebraço e queixo de um homem, mas a mandíbula e constituição de neandertal, ou seja, resultado do cruzamento entre ambas as espécies. A descoberta, por sua vez, é controversa com a teoria de que os neandertais desapareceram há cerca de trinta mil anos, onde foram substituídos pelos Cro-Magnons.

Pelo contrário, os ossos sugerem que essa espécie mais antiga não só cruzou com os humanos atuais, como também faz parte de nossa família. O híbrido de neandertal com humano coloca em cheque tudo aquilo que já foi descoberto até então, mas é impossível ignorá-lo.

A descoberta ocorreu em novembro de 1998, quando Pedro Souto e João Maurício foram ao Lapedo após boatos de que haviam pinturas rupestres na região. O que de fato se confirmou posteriormente! Ao longo da expedição, encontraram um abrigo de rocha calcária, o sítio Largar Velho, com preenchimentos demolidos em 1992, pelo proprietário da terra.

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Como os especialistas reagiram à descoberta

Ali estavam ossadas de animais e outros elementos importantes para as pesquisas, até que se depararam com o túmulo de uma criança, o híbrido de neandertal/humano. Quando a criança morreu, enterraram o corpo numa cova rasa, em posição estendida, para que cabeça e os pés ficassem mais altos que os quadris. Entre as pernas do pequeno cadáver, observaram uma carcaça completa de coelho, além de seis ornamentos (quatro dentes de veado que parecem ter feito parte de um cocar e duas conchas de pervinca do Atlântico, que se pensa terem feito parte de um pingente).

Após um longo e cuidadoso projeto, os arqueólogos conseguiram recuperar todos os restos mortais da criança, que foram enviados ao antropólogo Erick Trinkaus. Foi então que a partir daí a maior surpresa apareceu: Erik revelou que a criança era um híbrido de neandertal com homo sapiens. As proporções dos membros inferiores e os dentes eram de um Neandertal, entretanto, mesmo com o crânio semelhante ao homem moderno, Erik encontrou uma anomalia.

Dentre as análises, identificou uma corrosão na região occipital, ou seja, um traço diagnóstico e genético dos neandertais. Em meio ao caos que a descoberta trouxe para os especialistas, as opiniões se dividiram: alguns acreditam que neandertais e humanos modernos se cruzaram, enquanto outros não abandonam a visão de longa data, no qual os neandertais morreram e deram espaço para outras espécies.

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Agora, a teoria mais popular é de que os restos mortais são de uma criança moderna, mas com traços de Neandertais herdados geneticamente, a versão do híbrido ainda não é muito bem aceita.

Com informações de Ancient Origins.
Publicado originalmente por SoCientíficaLeia o original aqui.