(Créditos da imagem: NASA).

Quando as pessoas são enviadas para o espaço, seus corpos são submetidos à forças bastante extremas. Como o corpo humano lida com estes é obviamente de extrema importância, e parece que os pesquisadores podem estar se aproximando de descobrir como a microgravidade afeta a visão dos astronautas, pois causa inchaço em torno do nervo óptico altamente sensível.

Em um estudo recente, publicado em JAMA Ophthalmology, pesquisadores analisaram os olhos de 15 astronautas que haviam completado cerca de seis meses no espaço. Eles descobriram que, ao retornar à Terra, o tecido ao redor da parte de trás do olho onde o nervo óptico passa através do crânio e no encosto do olho parecia inchado e inflamado. Eles suspeitam que isso pode ser uma das razões pelas quais os astronautas experimentam problemas com sua visão.

O motivo pelo qual isso está acontecendo é menos claro. A teoria atual é que pode ser algo a ver com a pressão interna do olho aumentando quando em microgravidade. Os pesquisadores sugerem que o corpo poderia então se adaptar à essa nova pressão, enquanto os astronautas estão lá em cima por longos períodos de tempo e que, quando eles retornam à Terra, experimentando uma rápida mudança de pressão como resultado, o tecido fica inflamado e irritado.

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Preocupantemente, esta não é a única maneira que a viagem espacial afeta os globos oculares dos astronautas. A NASA identificou pela primeira vez em 2005 que os globos oculares de sua equipe espacial estavam de alguma forma mudando de forma até serem achatados permanentemente. Isso foi eventualmente devido ao líquido que está presente no cérebro acumulando em locais onde não deveria, pressionando os olhos e esmagando-os.

Os problemas que os astronautas experimentam com a sua visão caem sob uma condição conhecida como síndrome de pressão intracraniana de comprometimento visual, ou VIIP, na sigla em inglês, que também afeta os cérebros daqueles que se submetem a voos espaciais. No ano passado, os pesquisadores descobriram que, em microgravidade, o cérebro flutua efetivamente para cima e empurra contra a parte superior do crânio, mudando fisicamente sua estrutura e forma, e potencialmente contribuindo para o VIIP.

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Mais pesquisas são necessárias para compreender como exatamente isso está afetando os astronautas, e, como tal, a NASA determinou a causa da VIIP como uma prioridade máxima caso os voos espaciais de longa duração se tornem realidade.

Adaptado de Josh Davis para o IFLScience.

Referências:

  1. PATEL, Nimesh et al. “Optical Coherence Tomography Analysis of the Optic Nerve Head and Surrounding Structures in Long-Duration International Space Station Astronauts”; JAMA Ophthalmology. Acesso em: 15 jan. 2017.
  2. POLK, James D. et al. “Vision Impairment and Intracranial Pressure (VIIP) – 05.04.17”; NASA. Acesso em: 15 jan. 2017.
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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 18 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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