(Créditos da imagem: Freepik Premium)

O fluxo de dados na internet mundial aumentou consideravelmente com a pandemia causada pelo novo coronavírus, pois grande parte das relações sociais, comerciais, de trabalho e de estudo foram supridas pela internet. Pelo aumento no tráfego, algumas empresas de streaming, como Youtube e Netflix, chegaram a reduzir a qualidade da imagem para evitar uma sobrecarga na rede, e a Anatel pediu que as operadoras aumentassem a velocidade de internet dos usuários, também como medida preventiva.

Com o grande avanço da doença no Brasil e a adesão cada vez menor das pessoas ao isolamento social, os governos estaduais precisam impor medidas cada vez mais restritivas. A questão é: se a quarentena se alongar por muito tempo, a infraestrutura da internet brasileira irá suportar?

É a essa pergunta que responde um relatório publicado em abril pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br). Com o simet, um sistema de aferição de qualidade da internet, foram realizadas 970.676 medições entre o dia 31 de janeiro e 5 de abril, uma média de mais de 14 mil medições por dia, em todo o território nacional.

De todas as variáveis, a que enfrentou maior efeito foi a latência, ou seja, o atraso na entrega de dados. Aproximadamente no dia da primeira confirmação de morte por Covid-19, houve uma pequena piora na latência nas capitais, mas logo após já retorna a valores comparáveis com os anteriores à pandemia. Nas cidades do interior, foi detectada uma pequena variação na velocidade de download. 

Durante todas análises, nenhuma piora considerável foi encontrada, a não ser por pontos localizados, e um grande provedor que chegou a apresentar problemas – os usuários da Claro NET se queixaram da instabilidade; os outros, no entanto, continuaram seu serviço normalmente, ou seja, não há uma degradação da rede em si. Houve, de fato, um pico no número de consultas no Simet, mas isso se deve pela percepção de piora pelas pessoas, em meio às notícias ruins e a aflição quanto ao futuro da internet.

Um relatório do Fing Internet Outage Detector, que analisou a internet em todo o mundo, identificou problemas de conexão no Chile, na Argentina, em vários locais de toda a América do Norte, em diversos países da Europa, Ásia e Oceania. O Brasil, por outro lado, não apresentou problemas. 

Como relata à revista Pesquisa Fapesp o cientista da computação Fabio Kon, da USP, “O sistema brasileiro foi projetado para ter um alto nível de redundância, ou seja, há vários caminhos diferentes que um pacote de dados pode percorrer na internet brasileira desde sua origem até o seu destino”.

Isso significa que o tráfego de internet no Brasil é como o funcionamento do Waze para te livrar de engarrafamentos: Se por um caminho está difícil passar, os dados tem vários outros caminhos possíveis para chegar até o consumidor. O maior pico no uso de internet no país até o momento foi no dia 23 de março, com um tráfego de 11 Tb/s (Terabits por segundo). Para se ter ideia, em nenhum momento de 2019 a média do tráfego ultrapassou os 7 Tb/s. Segundo especialistas, devido ao bom planejamento, a rede brasileira pode suportar o dobro do pico ocorrido em março, ou seja, mais de 20 Tb/s. É bem pouco provável que enfrentemos grandes problemas. 

Tráfego de dados na internet brasileira no último ano. (Créditos da imagem: IX.br).

Referências: 

  1. FING. “Internet outage trends during Covid-19 pandemic”. Acesso em: 07 mai. 2020.
  2. NIC.br. “Influência da covid-19 na qualidade da internet no Brasil”. Acesso em: 07 mai. 2020.
  3. ZAPAROLLI, Domingos. “Conexão resiliente”; Revista Pesquisa Fapesp. Acesso em: 07 mai. 2020.