Orçamento para a ciência tem sofrido sucessivos decréscimos. (Créditos da imagem: Pixabay).

A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), é um órgão subordinado ao Ministério da Educação que atua na área de fomento à pesquisa. As bolsas oferecidas pela fundação permitem que cientistas se dediquem integralmente ao seus estudos. Esse investimento gera retornos não só intelectuais, como financeiros.

Infelizmente, tradicionalmente, no Brasil a ciência é sempre um dos setores mais afetados por cortes orçamentários em momentos de crise, apesar de sua grande utilidade para o progresso e bem estar da população. E agora, mais do que nunca, a situação está se agravando.

Na última segunda-feira (2), a Capes anunciou o corte de 5.613 novas bolsas de mestrado e doutorado. Somente esse ano, já foram mais de 11 mil bolsas cortadas. Não haverá, segundo o governo, interferências em bolsas já em andamento. Isso ocorreu porque quase 20% do orçamento previsto para a Capes em 2019 foi congelado. Para 2020, o orçamento foi reduzido pela metade: de 4,25 bilhões para 2,2 bi.

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Flávia Calé, presidente da Associação Nacional de Pós-graduandos, disse à Folha de São Paulo que “o que eles estão propondo é a morte da pesquisa no Brasil por inanição”.

Não é só a Capes que está sofrendo. O CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), já anunciou que não terá dinheiro para pagar 84 mil bolsas de estudos pelo restante do ano. A situação é tão séria que cientistas de diversas organizações brasileiras lançaram um abaixo-assinado e um manifesto pelo CNPq, que pode ser acessado clicando aqui. No momento em que escrevo esse texto, a petição, cuja meta é atingir 1 milhão de assinaturas, está com cerca de 916 mil apoiadores.

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“Nós, entidades científicas e instituições de ensino e pesquisa […] e cidadãos brasileiros que se preocupam com o desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil, nos dirigimos às autoridades máximas do País e aos parlamentares do Congresso Nacional, por meio deste abaixo-assinado, em defesa de recursos adequados para o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico — CNPq e contra a sua extinção”, diz a abertura da petição.

“A comunidade científica tem alertado há meses, sem sucesso, o Governo Federal e o Congresso Nacional para o déficit de R$ 330 milhões no orçamento do CNPq em 2019. Se esta situação não for rapidamente alterada, haverá a suspensão do pagamento de todas as bolsas do CNPq a partir de setembro deste ano”, relembra o manifesto.

Referências:

  1. Revista Galileu. Capes não financiará novas pesquisas em 2019: quase 12 mil bolsas foram cortadas no ano. Acesso em: 03 set. 2019.
  2. Saldaña, Paulo. “MEC faz novos cortes e não financiará nenhum novo pesquisador neste ano; Folha de São Paulo. Acesso em: 03 set. 2019.
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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pelo jornalismo científico. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente faço o ensino médio em uma ETEC e escrevo para o Ciencianautas.

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