(Créditos da imagem: NASA's Goddard Space Flight Center/S. Wiessinger).

Grosso modo, Novas são explosões repentinas que liberam grandes quantidades de energia, e que ocorrem nas superfícies das anãs brancas – um dos últimos estágios de vida de uma estrela, como o Sol. Essas estrelas são compactas, ao ponto de  ter a massa do Sol em um volume equivalente  ao da Terra. Quando em um sistema binário, a anã branca pode capturar parte da matéria perdida por sua estrela companheira e tê-la se acumulando em sua superfície até que se torne instável e resulte em uma explosão . A quantidade de energia liberada é tão alta, que estrelas que anteriormente não eram vistas a olho nu passem a ser.

Até pouco tempo acreditava-se que quase toda energia liberada pela nova fosse proveniente de fusões nucleares por fusão, típica em interiores de estrelas que ainda não alcançaram seus estágios finais de evolução. Um novo estudo, no entanto, publicado na última segunda (13), na Nature Astronomy, demonstrou, através de observações, uma forma de explicar a energia irradiada: ondas de choque representam uma liberação de energia muito maior que o esperado.

O estudo notou ainda, que algumas dessas partículas são aceleradas a velocidades relativísticas, ou velocidades próximas às da luz.

Os pesquisadores propõe também, que os choques sejam responsáveis por uma grande parte da luminosidade e radiação, gama principalmente, de outros eventos de grande liberação de energia em uma curta duração de tempo, como Supernovas e eventos de rupturas de marés; essa última ocorre quando um buraco negro encontra um objeto grande, como uma estrela, e essa “alimentação extra” gera uma grande quantidade de energia. No entanto, diferente das Novas, ainda não se sabe a quantidade dessa energia liberada.

A equipe foi ampla: pesquisadores de instituições de 17 países diferentes, incluindo o Brasil, que teve a participação do pesquisador  Raimundo Lopes de Oliveira, com uma longa experiência em astrofísica.

“Trabalhar em Astrofísica de Raios X é trabalhar com o que tem de mais moderno em tecnologia espacial.”,  contou Raimundo ao Ciencianautas. “É uma área relativamente recente porque para avançar demandou foguetes para o lançamento de instrumentos ao espaço mas responde por uma parte substancial das grandes descobertas das últimas décadas em Astrofísica.”

Para observar a Nova Carinae 2018, os cientistas utilizaram diversos telescópios, com destaque para três: Fermi Gamma-ray Space Telescope, NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array), ambos da NASA, e um dos satélites da constelação BRITE, (BRIght Target Explorer), de um consórcio de universidades Canadá, Áustria e Polônia. O curioso, é que o BRITE estava observando a região da V906 Carinae por coincidência, e capturou dados desde o início do evento.

Em um e-mail muito inspirador, Raimundo, que desde 2001 trabalha com astrofísica, diz que “Ficou claro para mim logo no início do doutorado que o que me dá mais satisfação como pesquisador está na essência da ciência, que é a descoberta, e na propagação do conhecimento para a sociedade.”

Ele ainda destaca o sucateamento da ciência no Brasil. “E, claro, para que a ciência progrida é preciso investimento financeiro e preocupação constante na formação educacional de qualidade desde a mais tenra idade. É importante que o Brasil entenda que Educação e Ciência devem estar entre as áreas prioritárias para que o país evolua como nação, e que seja estabelecida para isso uma política sólida de desenvolvimento de modo consistente e regular.”

Referência:

  1. Aydi, Elias, et. al. “Direct evidence for shock-powered optical emission in a nova”. Acesso em: 14 abr. 2020.