Nobel de medicina/fisiologia de 2015, concedido à William C. Campbell. (Créditos da imagem: Adam Baker).

Há, aparentemente, uma discriminação da maior parte das áreas científicas. Um estudo publicado no periódico de acesso aberto PLOS One fez uma análise mapeando os prêmios Nobel (o maior prêmio intelectual do mundo), em um período de 22 anos, entre 1995 e 2017, a fim de encontrar padrões, descobrindo a distribuição destes prêmios entre as áreas, dentro dos campos de Nobel de Medicina, Física e Química.

Os pesquisadores descobriram que, em todos os 20 anos, para estas três áreas, apenas um pequeno grupo é laureado com o Nobel. Dos 114 domínios de alto nível catalogados, apenas 5 possui 52,4%, ou seja, metade dos prêmios nobel no período. Essas áreas são a física de partículas (14%), biologia celular (12,1%), física atômica com (10,9%), neurociência  (10,1%), química molecular (5. 3%). Conforme diz o artigo, “o trabalho que resulta em prêmios Nobel está concentrado em uma pequena minoria de disciplinas científicas”.

A imagem abaixo apresenta um mapa, no qual as áreas estão nomeadas junto com as cores, na parte inferior. O mapa maior, à esquerda, representa todas as áreas da ciências, composta por 12 áreas. Os dois mapas do canto superior direito, por sua vez, representam, a imagem B as áreas laureadas e, na imagem C, as áreas da ciência mais citadas. A imagem D, no canto inferior direito, possui as áreas mais citadas do que os Nobéis e a última, imagem E, as áreas pesquisadas pelos laureados. Note que, apesar de trabalhos de grande impactos em quase todas as áreas, apenas uma pequena parte é agraciada com  o prêmio.

(Créditos da imagem: IOANNIDIS, J. P. A. et al).

“A análise atual também mostra que quase sempre quando um prêmio Nobel é concedido, existem muitos outros trabalhos publicados ao mesmo tempo que o trabalho homenageado pelo Nobel e que foram citados mais extensivamente do que o trabalho homenageado”, dizem os pesquisadores no artigo. 

Eles deixam claro, também, que não é apenas o número de citações que resume o impacto daquela linha de pesquisa, e citam áreas que, apesar do número grande de citações, os progressos são bastante lentos. Há, também, os campos que podem levar a avanços muito interessantes, mas perdem a oportunidade de serem citados por possuir um prazo de impacto muito longo, ajudando no avanço de campos apenas muito adiante.

“Mesmo considerando que diferentes disciplinas têm inevitavelmente diferentes níveis de relevância para Medicina / Fisiologia, Química e Física, a falta de representação de muitos campos dos prêmios Nobel significa que esses campos nunca desfrutam do prestígio decorrente desse reconhecimento mais ilustre”.

Eles ainda deixam claro que essa discriminação de determinadas áreas afeta não só a distribuição de pesquisadores por cada área, acentuando ainda mais a diferença de progresso e do número de publicações, mas também acaba por acarretar na perda de investimentos para estas áreas, e os campos já privilegiados acabam por receber ainda mais vantagens. 

Referência: 

IONANNIDIS, John P. A. et al. “Work honored by Nobel prizes clusters heavily in a few scientific fields“; PLOS One. Acesso em: 03 ago. 2020.

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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pela divulgação científica. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente curso Física na UFScar e escrevo para o Ciencianautas.