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O ser humano sempre se encantou com a possibilidade de vida inteligente habitando outros planetas. Basta olhar para os filmes a para a literatura: apesar de muito haver filmes onde há uma invasão alienígena na Terra, também há os casos de histórias de relações entre planetas, como Star Trek, O Guia do Mochileiro das Galáxias e os livros do tão querido Isaac Asimov, como a Trilogia da Fundação.

Agora, com apoio da NASA, um grupo de cientistas de diversas universidades americanas inicia um projeto que tem como intuito desenvolver um espécie de guia, como uma cartilha para instruir outras pessoas em como buscar por sinais de civilizações alienígenas avançadas.

A caça por alienígenas é muito querida por muitos, como Carl Sagan, que esteve na equipe que enviou ao espaço algumas informações sobre a humanidade nas sondas Voyager. Ironicamente, entretanto, ao mesmo tempo não é muito levada a sério em termos de investimentos e infraestrutura. Podemos verificar, nos últimos anos, no entanto, uma mudança quanto a isso, e a área é mais valorizada.

Dentro dessa nova visão de buscas por extraterrestres, entrou também, recentemente, a China. O país colocou o maior radiotelescópio de prato único do mundo, o FAST, oficialmente para buscar por sinais de civilizações inteligentes pelo universo afora.

É a primeira vez nas últimas três décadas em que um projeto como o SETI (sigla em inglês para Search for Extraterrestrial Intelligence, ou Busca por Inteligência Extraterrestre, no português), recebe apoio de caráter financeiro da NASA, o que representa um grande avanço na retomadas por esses esforços.

Novo método de buscas

O principal meio pelo qual eles farão a busca é procurando assinaturas, evidências de uso de tecnologia – algum tipo de sinal que aponte para essa possibilidade. O conceito de chama ‘tecnoassinatura’. Já fazíamos algo semelhante anteriormente, mas essa nova proposta possui algumas novidades.

Os cientistas costumam esperar por sinais, uma busca que pode-se chamar de passiva. Esse novo método, no entanto, se distancia um pouco por ser mais ativo. Nele, os pesquisadores tentam entender como tecnologias semelhante às que nós temos podem ser identificadas por meio de telescópios, utilizando até mesmo o recurso de identificação visual, além das assinaturas de rádio.

À BBC, o líder do projeto, Adam Frank, dá um exemplo da identificação visual: “Você pode pensar nas tecnoassinaturas como parte da SETI, mas na verdade elas representam uma expansão dessa busca. É uma nova direção, que só é possível graças à descoberta de outros planetas fora do Sistema Solar”.

Na frase, Frank se refere à identificação de exoplanetas olhando com telescópios para outras estrelas. A identificação de um exoplaneta funciona da seguinte forma: você coleta dados da luz de uma estrela por um período com um telescópio, como se fosse uma filmagem.

O que ocorre é que muitas estrelas possuem planetas as orbitando. Quando um planeta passa na frente da estrela, há uma redução do brilho e algumas mudanças nas ondas eletromagnéticas, vulgo luz. Por meio dessas mudanças, é possível saber se é um planeta, se ele é rochoso ou gasoso, a distância dele da estrela, a composição atmosférica e até mesmo a temperatura – é um meio muito versátil.

A primeira vez que identificamos exoplanetas foi em 1995, utilizando essa metodologia e, desde então, já são mais de quatro mil exoplanetas conhecidos pela galáxia, sendo que o principal meio é o trânsito planetário, esse método descrito, que analisa a diferença no brilho da estrela.

Poluição

Infelizmente, uma das assinaturas que a vida inteligente deixa é a poluição – ou pelo menos que o que constatamos aqui na Terra, durante toda a história da humanidade. O crescimento sustentável é possível, claro, mas há a tendência de ir pelo caminho mais fácil a curto prazo – poluir. No início da industrialização também, ninguém ligava para a poluição, mas isso porque ninguém conhecia de fato os efeitos de longo prazo que ela causa.

Se a industrialização for de fato uma assinatura referente às civilizações inteligentes, pelo menos as que estiverem no nosso nível de desenvolvimento (ainda não somos uma civilização do tipo 1, estamos bem atrasados), pode ser um marcador útil a ser buscado. Como disse antes, é possível pela luz saber a composição da atmosfera e, portanto, identificar poluentes.

“Em relação à poluição, devemos procurar especificamente por sinais de CFC (clorofluorocarbonetos), um químico gerado por aparelhos de refrigeração e que foi banido por aqui devido aos danos que causa à camada de ozônio. Também queremos estabelecer qual assinatura deixaria a luz refletida em painéis solares, caso uma civilização, como a nossa, tenha tido a ideia coletar energia de uma estrela em larga escala.”, disse Frank à BBC.

Mudando o pensamento da NASA

À BBC, Frank se queixa do histórico da NASA: “A Nasa financiou fortemente buscas por bioassinaturas, com um grande esforço para encontrar formas de vida ‘burras’, mas jamais apoiaria a pesquisa de vida inteligente? Isso simplesmente não faz mais sentido nenhum”.

Ele diz isso porque a agência espacial americana financia pesquisas por busca de sinais de vida microscópica, como sondas enviadas para Marte, com destaque para o famoso rover Curiosity e futuras missões que estão sendo planejadas para luas de Saturno. As buscas por vida inteligente, segundo ele, sempre foram deixadas em segundo plano e com menos alocação de verbas. [BBC].

“O que é mais assustador? A ideia de extraterrestres em mundos estranhos,ou a ideia de que, em todo este imenso universo, nós estamos sozinhos?” — Carl Sagan.