A resistência ao HIV fornecida pela mutação do gene TNPO3 foi descoberta pelos pesquisadores inoculando o vírus com sangue de pacientes portadores da mutação. (Créditos da imagem: iStock).

Uma mutação genética extremamente rara, responsável por uma doença muscular que afeta cem pessoas no mundo, cria imunidade natural contra o vírus da AIDS, afirmaram pesquisadores espanhóis que esperam que isso seja uma alternativa para novos medicamentos contra o HIV.

A primeira mutação é bem conhecida: foi descoberta após o “paciente de Berlim” ter sido curado do HIV por um transplante de células-tronco contendo uma rara mutação do gene CCR5, que confere uma imunidade natural contra esse vírus.

A nova mutação diz respeito a outro gene, o Transportin-3 ou TNPO3, e é muito mais raro: foi descoberto anos atrás em uma única família na Espanha que sofre de uma doença muscular rara, a distrofia muscular de cintos tipo 1F.

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Os pesquisadores já se interessavam por esse gene porque ele desempenha um papel no transporte do vírus dentro das células. A partir disto, eles contataram geneticistas de Madri, que tiveram a ideia de tentar infectar, em laboratório, o sangue de membros dessa família espanhola com o vírus da AIDS.

O experimento foi uma surpresa: os linfócitos daqueles que tiveram essa doença muscular rara eram naturalmente resistentes ao HIV. O vírus não conseguiu entrar nele.

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“Isso nos ajuda a entender muito melhor o transporte do vírus na célula”, disse José Alcami, virologista do Instituto de Saúde Carlos III, em Madri, que conduziu a pesquisa publicada na revista PLOS Pathogens.

O HIV é o mais conhecido de todos os vírus, disse Alcami. “Mas ainda há muitas coisas que não sabemos”, afirmou ele. Por exemplo, não se sabe por que 5% dos pacientes infectados não desenvolvem AIDS. Existem mecanismos de resistência à infecção que entendemos muito pouco.

O caminho ainda é longo para explorar essa falha e produzir um novo medicamento, mas a descoberta dessa resistência natural confirma que o gene TNPO3 é outra alternativa interessante para bloquear o HIV. [Futura-Sciences].

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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 18 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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