Via Láctea vista da Terra. (Créditos da imagem: ESO).

Uma equipe de astrônomos detectou fortes sinais de íons de hidreto de carbono (CH⁺) em áreas que cercam galáxias com intensos processos de formações estelares, a uma taxa acelerada (na astronomia, as galáxias com estas características são denominadas “galáxias starburst“). O hidreto de carbono pode nos ajudar a entender porque isso ocorre.

Tratado como fluxos de energia

Uma das três primeiras moléculas que foram descobertas no meio interestelar — a matéria existente no espaço entre os sistemas estelares de uma galáxia — é um íon de hidreto de carbono. Desde sua descoberta no início da década de 1940, essa molécula permanece misteriosa. Por um lado, parece desaparecer mais rapidamente do que as outras moléculas, sendo também mais reativa.

Uma equipe de astrônomos desvendou alguns mistérios sobre a ação do CH⁺ no Universo, especificamente em reservatórios turbulentos de gases moleculares frios que cercam a formação estelar. Usando o Observatório Europeu do Sul, os pesquisadores detectaram fortes sinais de CH⁺ em cinco das seis galáxias de starburst que estudaram.

“O CH⁺ é uma molécula especial. Precisa de muita energia para se formar e é muito reativa, o que significa que sua vida é muito curta e não pode ser transportada para longe. O CH⁺, portanto, traça como a energia flui nas galáxias de starburst e seus arredores”, disse Martin Zwaan, astrônomo do ESO, em um comunicado de imprensa.

Desafiando teorias

“As galáxias starburst estão entre os ‘motores’ de formação de estrelas mais formidáveis ​​do Universo, produzindo estrelas em cerca de 100 milhões de anos”, escreveram os pesquisadores no estudo, publicado na revista Nature. A taxa mais rápida de formação estelar é alimentada pelos grandes reservatórios de gases moleculares frios que se movem em direção ao centro da galáxia.

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Estudar essa interação foi possível pela detecção do CH⁺, que revelou ondas de choque densas que são geradas por ventos galácticos quentes e rápidos que vêm de dentro das regiões formadoras de estrelas das galáxias starburst. “Com o CH⁺, aprendemos que a energia é armazenada em vastos ventos que causam movimentos turbulentos em reservatórios de gases moleculares frios que não eram vistos anteriormente em torno das galáxias starburst”, disse Edith Falgarone, autora principal do estudo e astrônoma da Ecole Normale Supérieure e do Observatoire De Paris, na França.

Isso explica como as galáxias starburst são capazes de prolongar o período de formação estelar. “Ao exercer a direção da turbulência nos reservatórios, esses ventos galácticos estendem a fase de explosão de estrelas em vez de extinguir”, explicou Falgrone. “Os nossos resultados desafiam a teoria da formação das galáxias”, acrescentou ela.

Adaptado de Dom Galeon para o Futurism.

Referências:

  1. ESO. “O ALMA descobre enormes reservatórios de gás turbulento escondidos em galáxias distantes”. Acesso em: 30 ago. 2017.
  2. FALGRONE, E. et al. “Large turbulent reservoirs of cold molecular gas around high-redshift starburst galaxies”; Nature. Acesso em: 30 ago. 2017.
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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 17 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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