(Créditos da imagem: Getty Imagens).

Eles são fofos. Eles são macios. Eles são resilientes. Se você os chama de ursos-d’água, provavelmente sabe duas coisas sobre os animais microscópicos que os cientistas chamam de tardígrados: eles são adoráveis e podem sobreviver a qualquer coisa.

Muito frio? Sem problemas. Produtos químicos mortais? Sem problemas. Radiação extrema? Sem problemas. Esses caras são durões. Eles até sobrevieram na Lua.

Mas como?

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Os cientistas sabem há muito tempo que os tardígrados podem sobreviver em ambientes extremos, mas estão apenas começando a descobrir como eles são capazes. Em um artigo publicado na revista eLife em outubro de 2019, pesquisadores da Universidade da Califórnia trazem um novo insight ao mistério da resiliência dos tardígrados com uma descoberta que pode ter implicações enormes para o futuro da biotecnologia.

As células dos tardígrados conseguem armazenar um conjunto incrivelmente longo de instruções em um espaço incrivelmente pequeno. Para gerenciar toda essa informação, as células envolvem fitas de DNA, que são compostas por pares de bases conectados em uma longa e dupla hélice, em torno de proteínas especiais para criar um material fibroso e rico em informações, chamado de cromatina. As células formam os cromossomos dobrando e envolvendo a cromatina em torno de si.

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A cromatina é uma ótima maneira de armazenar e usar o código da vida, mas uma desvantagem é que deixa suas informações codificadas quimicamente vulneráveis ao meio ambiente. A menos que você seja um urso d’água.

A radiação pode reagir com a água nas células dos seres vivos para formar moléculas perigosas chamadas de radicais hidroxila. Os radicais hidroxila querem reagir com — ou seja, mudar — a primeira molécula que eles encontram. Se um radical hidroxila interage com o DNA na cromatina, ele pode corromper a mensagem genética e indiretamente causar certos tipos de câncer. Este tipo de dano ao DNA ameaça as criaturas em toda a árvore da vida, mas os tardígrados encontraram uma maneira de proteger sua cromatina dos danos causados pela radiação: uma proteína chamada Dsup.

Acontece que a Dsup, que significa proteína de supressão de dano, não se incomoda com a radiação em si. Em vez disso, a Dsup protege os genomas dos pequenos animais, ligando-se à cromatina e criando um escudo protetor que impede que os radicais hidroxila entrem em contato com o DNA.

“Vemos que a Dsup tem duas partes, uma que se liga à cromatina e o restante forma uma espécie de nuvem que protege o DNA dos radicais hidroxila”, disse James T. Kadonaga, professor da Universidade da Califórnia em San Diego e da Amylin Endowed Chair in Lifesciences Education and Research, em um comunicado de imprensa.

Os tardígrados desenvolveram a Dsup na preparação evolutiva para uma missão lunar microscópica? Definitivamente não. Alguns ancestrais tardígrados provavelmente desenvolveram uma versão da Dsup por acaso. A mutação se manteve porque a proteína protegeu os pequenos animais de danos no DNA durante períodos secos, quando entraram em um estado adormecido de desidratação, disse Kadonaga. Este estado de desidratação pode levar ao mesmo tipo de dano causado pelos radicais hidroxila.

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Agora que entendemos melhor como a Dsup funciona, podemos usar a proteína como fonte de material ou inspiração para novas biotecnologias que protegem outros tipos de células de certos tipos de danos causados pela radiação. Os pesquisadores esperam que suas descobertas melhorem terapias baseadas em células e testes de diagnóstico que dependem de células que vivem em cultura. [Curiosity].

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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 18 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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