(Créditos da imagem: Bryan Peacker/Wagers Laboratory/Harvard University).

Uma equipe de cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, realizou um avanço sem precedentes ao conseguir editar com êxito os genes de células-tronco enquanto elas ainda estavam dentro do corpo.

Nos últimos anos, os cientistas conseguiram corrigir doenças genéticas removendo as células-tronco, editando seus genomas e implantando-as novamente no paciente, mas isso gera problemas que agora podem ser solucionados.

Para corrigir implicações genéticas, apenas o tratamento de células doentes não é muito eficiente. Sem a abordagem correta, elas podem substituir as células saudáveis por outras doentes.

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Na atualidade, para “reparar” as células-tronco, os pesquisadores precisam removê-las do corpo, editar o seu genoma em laboratório e implantá-las novamente no paciente. Entretanto, muitas coisas podem dar errado ao decorrer deste processo: as células-tronco podem morrer na placa de Petri, o sistema imunológico do paciente pode rejeitá-las uma vez transplantadas ou elas podem simplesmente falhar e não se tornarem ativas de volta no corpo.

“Quando você tira as células-tronco do corpo, tira-as do ambiente muito complexo que as nutre e sustenta, e elas entram em choque”, explica Amy Wagers, principal pesquisadora do estudo. “Isolar as células as altera. O transplante de células as altera. Fazer as mudanças genéticas sem ter que isolá-las e transplantá-las preservaria as interações regulatórias das células – isso é o que nós queríamos fazer.”

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Fundamentado em trabalhos passados, os pesquisadores utilizaram diversos tipos de vírus adeno-associados (AAVs) que podem entrar nas células dos mamíferos e são alterados de modo a não causar doenças, bem como são capazes de carregarem “máquinas de edição de genes”. Com isso, os cientistas usaram os AAVs para levar o sistema de edição de genes CRISPR a diferentes tipos de células-tronco.

Com testes realizados em ratos, a equipe descobriu que até 60% das células-tronco no músculo esquelético, 27% das células progenitoras da pele e 38% das células-tronco na medula óssea foram editadas com sucesso. As células dérmicas também foram editadas, indicando que mudanças nas células-tronco da pele estavam sendo passadas adiante.

Novos tratamentos

Os pesquisadores afirmaram que este avanço pode gerar novas formas de tratamento para doenças genéticas.

Até agora, o conceito de entregar genes saudáveis ​​para células-tronco usando AAV não tem sido prático porque essas células se dividem muito rapidamente em sistemas vivos, então os genes liberados são rapidamente diluídos nas células”, afirmou Sharif Tabebordbar, um dos autores do estudo. “Nossa pesquisa demonstra que podemos modificar permanentemente o genoma de células-tronco e, portanto, suas progênies, em seu nicho anatômico normal. Há muito potencial para levar essa abordagem adiante e desenvolver terapias mais duráveis ​​para diferentes formas de doenças genéticas.” [Hypescience].

Referências:

  1. WAGERS, Amy et al. “In Situ Modification of Tissue Stem and Progenitor Cell Genomes”; Cell Reports, 2019. Acesso em: 12 jun. 2019.
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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 18 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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