(Créditos da imagem: Pixabay).

Pesquisadores do Centro Nacional de Pesquisa do Câncer da Espanha (CNIO) mostraram que é possível prolongar a vida de ratos sem usar nenhuma tecnologia de modificação de genes. A descoberta é o resultado de um estudo publicado há alguns anos e que visava investigar camundongos com telômeros hiper longos.

Dada a relação entre os telômeros e o envelhecimento (os telômeros ficam mais curtos com a idade), Maria Blasco e seus colegas decidiram criar camundongos no CNIO que tinham telômeros hiper longos em 100% de suas células.

Os pesquisadores relataram suas descobertas na revista Nature Communications e demonstram apenas resultados positivos; os camundongos vivem por mais tempo e com melhor saúde do que seria esperado para suas espécies, além de estarem livres de condições relacionadas à idade, como câncer e obesidade.

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A descoberta mais importante para a equipe foi que o aumento da expectativa de vida e dos benefícios à saúde foi alcançado pela primeira vez sem a necessidade de modificação genética.

Os telômeros formam o fim dos cromossomos no núcleo das células e protegem a integridade genética do DNA. Cada vez que uma célula se divide, os telômeros diminuem um pouco, então uma característica do envelhecimento são os telômeros abreviados nas células.

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O Grupo de Telômeros e Telomerase da CNIO já demonstrou em vários estudos que interromper o encurtamento dos telômeros ativando a enzima telomerase, que aumenta os telômeros, prolonga a longevidade sem causar efeitos adversos à saúde.

Até agora, esses experimentos foram baseados em técnicas que alteravam a expressão gênica. Por exemplo, há alguns anos, o grupo desenvolveu uma terapia genética que promove a síntese da telomerase e a usou para gerar camundongos que vivem 24% mais que o normal, sem desenvolver câncer ou outras doenças relacionadas à idade.

Desta vez, no entanto, a equipe não precisou usar nenhuma tecnologia de alteração de genes.

Em 2009, os pesquisadores testaram células-tronco pluripotentes induzidas (IPS, na sigla em inglês), que são células-tronco retiradas de organismos adultos que tiveram sua pluripotência (capacidade de se diferenciar em outros tipos de células) restaurada. Os pesquisadores descobriram que uma vez que as células se dividiram em cultura um certo número de vezes, elas adquiriram telômeros com o dobro do comprimento usual.

Intrigados com os resultados, eles investigaram se o mesmo poderia ser alcançado em células-tronco embrionárias normais que foram cultivadas após serem extraídas de blastócitos.

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A equipe descobriu que, durante a fase de pluripotência, certas marcas epigenéticas na cromatina telomérica ajudam a prolongar a telomerase. Isso permitiu a geração de células embrionárias com telômeros duas vezes maiores que o normal.

Em seguida, a equipe quis descobrir se essas células embrionárias com telômeros estendidos poderiam gerar camundongos vivos, o que o grupo demonstrou que realmente poderia fazer alguns anos atrás. Esse estudo também foi publicado na Nature Communications.

No entanto, os camundongos utilizados foram quimeras, com apenas 30 a 70% das células em seus corpos compostas por células com telômeros estendidos. Os ratos estavam com boa saúde, mas a equipe não podia descartar que a boa saúde poderia ser atribuída ao bom funcionamento das células inalteradas que tinham telômeros normais.

No novo estudo, os pesquisadores conseguiram gerar camundongos com telômeros hiper longos em todas as células de seus corpos.

De acordo com a equipe, esses ratos têm menos câncer e vivem mais. Um fato importante é que eles são mais magros que o normal porque acumulam menos gordura. Eles também mostram menor envelhecimento metabólico, com níveis mais baixos de colesterol e LDL (colesterol ruim) e maior tolerância à insulina e glicose. A idade também não danifica o DNA tanto quanto normalmente e suas mitocôndrias funcionam melhor.

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Mais especificamente, a expectativa de vida média entre os ratos com telômeros estendidos é 13% mais longa que o normal. As alterações metabólicas observadas também são importantes, porque é a primeira vez que uma relação clara entre o comprimento dos telômeros e o metabolismo é observada. [News Medical].

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Giovane Almeida
Sou baiano, tenho 18 anos e sou fascinado pelo Cosmos. Atualmente trabalho com a divulgação científica na internet — principalmente no Ciencianautas, projeto em que eu mesmo fundei aos 15 anos de idade —, com ênfase na astronomia e biologia.

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