(Créditos da imagem: Gerhard Gellinger/Pixabay).

O sonho de toda criança que se preze foi realizado por cientistas de diversas partes do mundo: um mapa global das minhocas; o trabalho deveria se chamar “Animais Fantásticos e Onde Habitam”.

Para realizar o estudo, os cientistas compilaram dados sobre minhocas coletados em 6.928 locais de 57 países diferentes. Dessa forma, puderam entender melhor o comportamento e identificar padrões na distribuição delas, levando em consideração variáveis climáticas e espaciais. Pode parecer uma pesquisa boba, mas é de grande importância, tendo em vista que as minhocas exercem trabalhos essenciais para o ecossistema local. 

Um dos padrões mais notáveis é quanto à diversidade. Os locais com maior número de espécies estão localizados nas latitudes médias, seja para o hemisfério norte, seja para o hemisfério sul. Regiões tropicais, como o Brasil, apresentam uma baixa concentração e baixa diversidade de minhocas. A variação foi grande; foram encontrados entre 5 e 150 indivíduos por metro quadrado.

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Essa variação se deve porque as minhocas dão preferência a locais com menores taxas de evapotranspiração – diferente da regra para a diversidade das plantas -, e porque nas regiões tropicais a decomposição é mais rápida, sobrando pouca matéria orgânica de alimento. Dessa forma, locais com clima frio e temperado são de maior atração. Os cientistas atribuem isso também a detalhes técnicos da última glaciação e uma dispersão das minhocas por humanos deve ter sido mais frequente nessas regiões, para a agricultura, por exemplo. Outro padrão identificado, é que em regiões tropicais, seu tamanho das é maior, e tende a diminuir de acordo com a proximidade dos polos.

Segundo o artigo, os cientistas esperavam que a influência do solo na distribuição das minhocas fosse maior. A grande influência do clima é superior ao esperado. Isso provavelmente se deve à escala do estudo, que foi global. Por isso, qualquer mudança climática poderá influenciar no ambiente delas e, graças a um efeito cascata, gerar outras variações em diversas outras espécies de seres vivos em cada ecossistema.

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Referência:

  1. PHILLIPS, Helen R. P. et al. Global distribution of earthworm diversity”; Science. Acesso em: 26 out. 2019.
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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pelo jornalismo científico. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente faço o ensino médio em uma ETEC e escrevo para o Ciencianautas.

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