O rover Tianwen-1. (Créditos da imagem: CSNA).

No início dos anos 1960, o programa espacial do Brasil, da Índia e da China estavam em pé de igualdade. Agora, a Índia se prepara para lançar seus astronautas e a China está prestes a enviar seu primeiro rover para Marte, o Tianwen-1. A China é um país que já domina o envio de humanos ao espaço, constrói e lança seus próprios satélites e envia missões robóticas para a Lua.

Marte é o principal alvo da nova corrida espacial. Diversas empresas, com destaque para a SpaceX, desejam chegar ao planeta com humanos, e as agências governamentais também estão nesta corrida, por ora com robôs. Essa massiva quantidade de estudos no planeta pode nos ajudar a entender como montar uma colônia lá, além de descobrir mais sobre o passado marciano e responder a tão aclamada pergunta: “Marte já teve vida?”.

Somente este mês, somam três lançamentos com destino a Marte: o primeiro, que já foi lançado, é a sonda Hope, dos Emirados Árabes Unidos, que estudará o clima e as mudanças sazonais de Marte; a ideia do país é desenvolver tecnologia e deixar de depender exclusivamente do petróleo. Outra é a Mars 2020, da NASA, que levará o rover Perseverance e o helicóptero Ingenuity. Em seguida, há esta missão chinesa, Tianwen-1. A missão da americana e a missão chinesa ainda não foram lançadas.

Recentemente, os cientistas chineses descreveram em um breve artigo publicado na revista Nature Astronomy, como funcionará a próxima missão chinesa. A espaçonave, conforme os pesquisadores, deve ser lançada entre o final de julho e o início de agosto de 2020, pelo foguete chinês Longa Marcha 5, foguete com uma capacidade um pouco superior à do Falcon 9. O nome série de foguetes Longa Marcha homenageia um ocorrido considerado como um mito fundador da China Comunista, de mesmo nome.

A sonda já está na coifa do foguete há alguns dias. (Créditos da imagem: CSNA).

O nome, Tianwen, significa algo como ‘perguntas para o paraíso’, mas no sentido de céu – no artigo, em inglês, eles utilizaram o termo ‘questions to heaven’. O nome foi retirado de um poema da China Antiga escrito por Qu Yuan, que viveu aproximadamente entre 340 e 278 a.C. Apesar de não ser conhecido no ocidente, ele é um dos maiores poetas da China, conforme os pesquisadores.

Junto ao rover, será enviado um orbitador, que possui duas funções principais: intermediar a comunicação entre o robô e a Terra, e fazer sua própria coleta de dados a partir do espaço durante um ano, de todas as partes possíveis do planeta e em alta resolução.

As principais funções da missão são: mapear a morfologia e estruturas geológicas de Marte, investigar a distribuição de água ou gelo pela superfície do planeta, analisar a composição dos materiais da superfície, estudar a ionosfera e o clima do planeta e estudar os campos físicos, como o campo magnético e o campo gravitacional do planeta vermelho, além de estudar as estruturas internas. São, no total, 13 equipamentos científicos que equipam o rover e o orbitador.

Se tudo ocorrer conforme o planejado e o lançamento não perder a janela de lançamento, que logo acaba, a Tianwen-1 deve chegar ao planeta em fevereiro de 2021, e em abril eles já desejam iniciar as observações. 

Referência:

  1. WANG, C. et al. “China’s first mission to Mars”; Nature Astronomy. Acesso em: 21 jul. 2020.
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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pela divulgação científica. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente curso Física na UFScar e escrevo para o Ciencianautas.