(Créditos da imagem: Pixabay).

Principalmente por fatores naturais, a região semiárida do nordeste brasileiro sofre com grandes problemas de escassez de água, que são ampliados pelo desmatamento e mudanças climáticas. Vários planos, como a transposição do Rio São Francisco, visam contornar esses problemas.

Com uma população de 4 milhões de pessoas, a região metropolitana de Fortaleza, que consome cerca de 8 mil litros de água por segundo, está nessa região. Um projeto, iniciado em 2016 em uma parceria público-privada, visa a criação de uma usina de dessalinização — um tratamento para retirar o sal da água do mar e torná-la potável. A expectativa é que a usina fique pronta em 2022 e produza cerca de mil litros por segundo. O valor total estimado é de cerca de 480 milhões de reais.

Apesar de não ser a primeira usina de dessalinização do Brasil, será a primeira de grande porte. A sua produção de água é capaz de abastecer 720 mil pessoas.

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Anteriormente, o governo federal instalou em cidades do sertão nordestino, 605 pequenos dessalinizadores que atendem 240 mil pessoas; nesse caso, a água não é do oceano, mas água salobra do próprio semiárido. Muitos desses equipamentos estão abandonados por falta de dinheiro das prefeituras para a manutenção.

Israel, pioneiro no método, por necessidade, abastece 75% da sua população de mais de 8,5 milhões de pessoas com água do mar.

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Um ponto ruim das usinas de dessalinização, é que o tratamento é bastante caro. O custo médio da dessalinização, no mundo, é de cerca de 8 reais o m³ (mil litros), para o tipo mais comum de tratamento, chamado osmose reversa. A Cagece (Companhia de Água e Esgoto do Ceará), cobra cerca de 3 reais o m³.

Algumas universidades brasileiras, com destaque para UEPB, UFPB e UFRN, buscam aprimorar um método que promete ser mais barato: membranas nanoestruturadas de grafeno, que pode reduzir em até 50% os gastos energéticos, necessita de menos manutenção e possui uma vida útil muito maior do que os filtros atualmente utilizados para osmose reversa.

Outro processo bastante estudado é chamado de deionização capacitiva, que ainda está em desenvolvimento, mas promete ser mais barato do que a osmose reversa. No Brasil, um grupo de cientistas da UFSCar desenvolve um processo de deionização capacitiva que utiliza carvão ativado, semelhante ao que há nos filtros de água domésticos, só que muito mais sofisticados. [Revista Pesquisa Fapesp].

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Mais um insignificante humano habitando um pálido ponto azul no vasto oceano cósmico circundante. Com minha ilusória auto-importância, característica humana, me aventuro pelo jornalismo científico. Apaixonado pela ciência desde criança, sou uma das poucas pessoas que como diz Carl Sagan, “passam pelo sistema com sua admiração e entusiasmo intactos”. Atualmente faço o ensino médio em uma ETEC e escrevo para o Ciencianautas.

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