Um homem, duas mulheres e uma criança foram enterrados nesta sepultura há cerca de 2.500 anos onde hoje é a Sibéria. (Créditos da imagem: Seção Siberiana da Academia Russa de Ciências).

Arqueólogos na Sibéria desenterraram um túmulo de 2500 anos contendo os restos mortais de quatro pessoas da antiga cultura Tagar — incluindo dois guerreiros, sendo um homem e uma mulher — e suas armas de metal escondidas.

De Laura Geggel para o LiveScience.
Traduzido por Julio Batista.

O enterro do início da Idade do Ferro continha os restos mortais de quatro tagarianos: um homem, mulher jovem, criança e uma mulher mais velha; bem como uma série de armas e artefatos, incluindo punhais de bronze, facas, machados, espelhos de bronze e um pente em miniatura feito de chifre de animal, de acordo com a Seção Siberiana da Academia Russa de Ciências.

A cultura Tagar, uma parte da civilização cita (guerreiros nômades que viveram onde hoje é o sul da Sibéria), muitas vezes enterrava seus mortos com versões em miniatura de objetos da vida real, provavelmente para simbolizar bens que eles pensavam serem necessários na vida após a morte. Neste caso, porém, os mortos também foram sepultados com objetos de tamanho real, disseram os arqueólogos.

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Ainda não está claro como esses indivíduos morreram, mas talvez uma doença tenha causado a mortes dos quatro, disseram os arqueólogos.

Uma equipe do Instituto de Arqueologia e Etnografia encontrou o cemitério na parte sul de Khakassia, uma região da Sibéria, antes de iniciarem as obras de construção de uma ferrovia. A descoberta é notável, visto que ladrões de túmulos saquearam a maioria das sepulturas tagarianas conhecidas, disse Yuri Vitalievich Teterin, chefe da escavação, em um comunicado. (É importante notar que esta cultura é diferente da dinastia fictícia “Targaryen” da série de TV “Game of Thornes”.)

Os restos mortais do homem e da mulher, que provavelmente morreram na casa dos 30 ou 40 anos, foram colocados de barriga para cima, com grandes vasos de cerâmica ao lado de cada um deles. O homem também tinha dois conjuntos de armas (duas adagas de bronze e dois machados), e a mulher tinha um conjunto, segundo foi documentado. As armas da mulher, incluindo um instrumento de cabo longo, que talvez seria uma machadinha ou machado de guerra, foi um achado incomum; os tagarianos costumavam enterrar suas mulheres com armas, mas essas geralmente eram armas de longo alcance, como flechas, observou Oleg Andreevich Mitko, líder da escavação e chefe de arqueologia da Universidade Estadual de Novosibirsk, na Rússia.

Os restos mortais da criança estavam em más condições, descobriram os arqueólogos. (Créditos da imagem: Universidade Estadual de Novosibirsk).

“Os restos mortais de um bebê recém-nascido, de não mais de um mês de idade, também foram encontrados no cemitério, mas fragmentos de seu esqueleto foram espalhados pela sepultura, possivelmente por conta da atividade de roedores”, disse Olga Batanina, antropóloga do laboratório Paleodata que é responsável por empregar métodos científicos naturais na arqueologia, em um comunicado.

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Debaixo dos pés do homem e da mulher, jaziam os restos mortais de uma senhora de cerca de 60 anos; seu corpo estava virado para o lado direito, com os joelhos dobrados. Ao lado dela, os arqueólogos encontraram um pequeno vaso de cerâmica e um pente com dentes quebrados.

Parte dos objetos encontrados na cova. (Créditos da imagem: Universidade Estadual de Novosibirsk).

Não está claro como essas pessoas se relacionavam umas com as outras, mas uma análise futura de DNA pode revelar se eles tinham laços familiares.

A cultura Tagar vigorou por cerca de 500 anos, do século VIII ao III a.C. aproximadamente; o povo tagariano se espalhou pela Bacia de Minusinsk, uma paisagem que mistura estepes, florestas e sopés de colinas e montanhas, de acordo com o comunicado.

Os arqueólogos têm uma agenda lotada pela frente. Um conjunto de pesquisas em 2019 revelou mais de 10 sítios arqueológicos, nove dos quais estavam na área de construção da ferrovia. Esta escavação é apenas um desses locais.

Este texto foi originalmente publicado por Universo Racionalista. Leia o original aqui.